Deutsche Tageszeitung - EUA, possível 'mão amiga' do Equador para evitar outro 'narcoestado'

EUA, possível 'mão amiga' do Equador para evitar outro 'narcoestado'


EUA, possível 'mão amiga' do Equador para evitar outro 'narcoestado'
EUA, possível 'mão amiga' do Equador para evitar outro 'narcoestado' / foto: © AFP

Os Estados Unidos podem oferecer "uma mão amiga" ao Equador contra o narcotráfico, sobretudo nos portos, para evitar que se torne o primeiro "narcoestado" da América do Sul, disseram analistas à AFP.

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A situação no país latino-americano é extrema, com "níveis atrozes de violência e terrorismo", advertiu o Departamento de Estado em um comunicado divulgado nesta quinta-feira (11).

O governo do presidente Joe Biden está preocupado e com razão. Desde domingo, o país está dominado pelo medo espalhado pelas gangues de narcotraficantes. Até a tarde de quinta-feira, Washington ainda não havia detalhado como será a cooperação com o novo presidente equatoriano, Daniel Noboa, de direita, mas a ideia é fazer isso em várias frentes.

Enviará ao país funcionários de alto escalão, como a chefe do Comando Sul, general Laura Richardson, e o subsecretário do Escritório Internacional de Narcóticos e Aplicação da Lei, Todd Robinson, além de policiais, para ajudar "nas investigações criminais".

A cooperação contra o crime organizado é "muito conveniente", depois de ter sido afetada por decisão do então presidente equatoriano de esquerda, Rafael Correa (2007-2017), de expulsar uma base militar americana, afirmou Vanda Felbab-Brown, diretora da Iniciativa sobre Atores Armados Não Estatais da Brookings Institution, "think tank" com sede em Washington.

O esforço deverá se concentrar na "infiltração do crime organizado em duas instituições", portos e aeroportos; no "fortalecimento dos controles, na reforma das prisões para torná-las muito mais seguras e no desenvolvimento de capacidades de investigação", explica.

Will Freeman, pesquisador para a América Latina do "think tank" americano Council on Foreign Relations, também destaca a importância do controle dos portos. O Equador precisa de pequenas embarcações para patrulhar as águas ao largo de sua costa e de radares e equipamentos de detecção de contêineres, enumera.

"Os Estados Unidos podem oferecer uma mão amiga nessas frentes", mas a Europa também deve participar da luta, diz ele à AFP.

Felbab-Brown concorda e lança uma ideia no ar: criar "um organismo internacional anticorrupção que fortalecerá o poder judicial", semelhante à Comissão Internacional contra a Impunidade na Guatemala (CICIG).

- A armadilha -

Ele adverte, no entanto, contra a armadilha da "má cooperação internacional".

"A China está exportando de maneira muito ampla e muito ativa suas abordagens anticorrupção e anticrime, muitas das quais se concentram no Estado de vigilância", afirma o especialista.

"Muitos governos latino-americanos estão interessados nessas" tecnologias inteligentes que prometem todo tipo de vigilância, mas que trazem "muitos riscos", como a "falta de respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades civis" e seu possível uso "para espionar escondido", alerta.

No nível doméstico, os Estados Unidos podem se beneficiar, se a luta contra o crime organizado for bem-sucedida.

Em 2023, as autoridades americanas interceptaram mais de 107.000 vezes migrantes equatorianos que cruzaram ilegalmente a fronteira com o México, muito mais do que no ano anterior. Trata-se de questão especialmente relevante em um ano eleitoral.

De qualquer maneira, o tempo urge.

"O Equador já se tornou um centro logístico para traficantes de drogas que enviam cocaína para Estados Unidos e Europa e, se nada mudar, caminha para ser o primeiro narcoestado em plena atividade da América do Sul", diz Freeman.

O escritor e jornalista italiano Roberto Saviano, um especialista em máfias que vive há anos sob proteção policial, fala de um "golpe do narcotráfico".

"O objetivo do narcogolpe não é tomar o poder, não é administrar com seus homens, nem controlar o Estado. Longe disso. O narcogolpe quer aterrorizar o país, restabelecer sua supremacia sobre o governo e obrigá-lo a negociar", escreve ele no jornal italiano Corriere della Sera.

(I.Beryonev--DTZ)

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