Deutsche Tageszeitung - EUA, UE e 9 países latino-americanos rejeitam mandado de prisão contra opositor na Venezuela

EUA, UE e 9 países latino-americanos rejeitam mandado de prisão contra opositor na Venezuela


EUA, UE e 9 países latino-americanos rejeitam mandado de prisão contra opositor na Venezuela
EUA, UE e 9 países latino-americanos rejeitam mandado de prisão contra opositor na Venezuela / foto: © AFP/Arquivos

Os Estados Unidos, o chefe da diplomacia da União Europeia e nove países da América Latina rejeitaram, nesta terça-feira (3), a ordem de prisão emitida contra o opositor venezuelano Edmundo González Urrutia, no contexto de sua reivindicação de vitória nas eleições presidenciais, das quais Nicolás Maduro foi proclamado vencedor.

Alterar tamanho do texto:

Um tribunal com competência para julgar terrorismo ordenou na noite de segunda-feira — poucos minutos após um pedido do Ministério Público — a prisão do diplomata de 75 anos, que está escondido há pouco mais de um mês. González Urrutia é procurado por crimes que incluem "desobediência às leis", "conspiração", "usurpação de funções" e "sabotagem".

"Este é apenas mais um exemplo dos esforços do senhor Maduro para manter o poder pela força", disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, John Kirby, aos repórteres, enquanto Brian Nichols, representante dos EUA para a América Latina e o Caribe, descreveu a ordem de prisão como "injustificada".

"Em vez de reconhecer sua derrota eleitoral e se preparar para uma transição pacífica na Venezuela, Maduro agora ordenou a detenção do líder democrático que o derrotou de forma esmagadora nas urnas", destacou na rede social X.

Da mesma forma, o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, rejeitou "categoricamente" a medida e pediu às autoridades venezuelanas que "respeitem a liberdade, a integridade e os direitos humanos" de González Urrutia.

Argentina, Costa Rica, Equador, Guatemala, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai também rejeitaram "de maneira inequívoca e absoluta" a ordem de prisão.

A Venezuela rompeu relações diplomáticas com vários desses países pelo não reconhecimento da reeleição de Maduro.

O mandado de prisão busca “silenciar o senhor González, ignorar a vontade popular venezuelana e constitui perseguição política”, indica o comunicado.

"Em um país onde não há separação de poderes nem garantias judiciais mínimas e onde detenções arbitrárias são abundantes, condenamos essas práticas ditatoriais".

Opositores e juristas concordam que a justiça venezuelana opera a serviço do chavismo.

“Sempre utilizam esse tipo de estratégia para quem fala contra eles (o governo)”, disse Mauricio Mauricio, um mecânico de 49 anos.

“Pensei que era uma forma de intimidá-lo e fazê-lo sair (do país), mas agora emitiram (o mandado de prisão) e sinto que ele está em perigo”, disse Michelle Méndez, uma advogada de 25 anos. “Se ele se for será muito triste, mas eu entenderia”, acrescentou.

- "Acusador político" -

Maduro foi proclamado reeleito para um terceiro mandato de seis anos, até 2031, pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que não publicou o detalhamento da apuração como exige a lei.

A oposição liderada por María Corina Machado afirma que a vitória de González é demonstrada pelas cópias de mais de 80% das atas de votação que foram publicadas em um site, documentos que o chavismo desconsidera e diz serem forjados.

Este site é o foco da investigação que levou à ordem de prisão contra González.

"Ninguém neste país está acima das leis, das instituições, como tentou esse senhor escondido, o covarde Edmundo González Urrutia", disse Maduro na segunda-feira em seu programa semanal de televisão, no qual também decretou o adiantamento do Natal para 1º de outubro.

"Chegou o Natal com paz, felicidade e segurança", afirmou.

A ordem de prisão se segue ao descumprimento de três convocações por parte de González, chamado a depor no MP, que o investiga em um processo criminal.

O diplomata argumentou dias atrás que o MP agia como um "acusador político" que o submeteria a um processo "sem garantias de independência e do devido processo".

Maduro pediu que González e Machado, que também está na clandestinidade, fossem presos. Ele os responsabiliza por atos de violência nos protestos pós-eleições que deixaram 27 mortos — dois deles militares — quase 200 feridos e mais de 2.400 detidos, incluindo mais de 100 menores de idade.

A medida contra González também coincide com a apreensão pelos Estados Unidos de um avião utilizado por Maduro que foi adquirido, segundo as autoridades, por "contrabando".

(V.Sørensen--DTZ)

Apresentou

Promotoria francesa pede 30 anos de prisão para chileno Zepeda por assassinato

A Promotoria francesa solicitou, nesta quarta-feira (25), uma pena de 30 anos de prisão para o chileno Nicolás Zepeda, considerado culpado pelo assassinato de sua ex-namorada japonesa, Narumi Kurosaki, em 2016. Este é o terceiro julgamento neste caso de grande repercussão. O corpo da vítima não foi encontrado.

Dois homens detidos em Londres por ataque contra ambulâncias da comunidade judaica

Dois homens foram detidos nesta quarta-feira (25) em Londres como suspeitos de envolvimento no incêndio que destruiu quatro ambulâncias da comunidade judaica, ao lado de uma sinagoga, na segunda-feira, anunciou a polícia da capital britânica.

Moraes autoriza prisão domiciliar temporária para Jair Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (24) o ex-presidente Jair Bolsonaro a cumprir temporariamente sua pena em prisão domiciliar, por razões humanitárias, assim que deixar o hospital onde está internado por uma broncopneumonia.

Ministro da Defesa diz que combate a gangues na Guatemala ocorre sem 'abusos'

A ofensiva da Guatemala contra as gangues após o assassinato de 11 policiais em janeiro é conduzida sem "abusos" nem "prisões arbitrárias", afirmou em entrevista à AFP o ministro da Defesa, Henry Sáenz, que descartou adotar o modelo do presidente salvadorenho Nayib Bukele no combate ao crime.

Alterar tamanho do texto: