Cruzeiro com hantavírus procura porto e OMS aponta para Espanha
Um cruzeiro com um surto de hantavírus, que pode ter sido transmitido entre pessoas, continua nesta terça-feira (5) em Cabo Verde à procura de um porto onde atracar, e a OMS aponta para a Espanha, que aguarda "dados epidemiológicos" para tomar uma decisão.
O MV Hondius fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde, um arquipélago ao largo da costa da África, com 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades.
Os passageiros estão confinados em suas cabines para limitar a propagação do hantavírus, que é transmitido aos humanos por roedores selvagens infectados, como camundongos ou ratos, que excretam o vírus pela saliva, urina e fezes.
O hantavírus provocou até o momento três mortes: um casal holandês e um cidadão alemão, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O navio está desde domingo em frente à costa de Cabo Verde, que lhe negou autorização para atracar.
Segundo a OMS, ele seguirá para o arquipélago espanhol das Canárias. "Estamos trabalhando com as autoridades espanholas que (...) disseram que vão receber o navio para realizar uma investigação completa, uma investigação epidemiológica completa, uma desinfecção total do navio e, claro, avaliar o risco para os passageiros que estão a bordo", afirmou a diretora de preparação e prevenção de epidemias e pandemias da OMS, Maria Van Kerkhove.
No entanto, a Espanha afirmou que ainda não foi tomada uma decisão. "Em função dos dados epidemiológicos que forem recolhidos do navio na sua passagem por Cabo Verde, será decidido qual escala é mais pertinente. Até lá, o Ministério da Saúde não tomará nenhuma decisão, como já informamos à Organização Mundial da Saúde", escreveu o governo no X.
Em Bruxelas, o presidente regional das Canárias, Fernando Clavijo, disse a jornalistas que o navio "deve ser atendido onde está", em Cabo Verde, ou "seguir para os Países Baixos", porque "é de bandeira holandesa".
Jake Rosmarin, um passageiro que relata sua viagem nas redes sociais, contou na segunda-feira no Instagram que "há muita incerteza" a bordo. "A única coisa que queremos agora é nos sentir seguros, ter respostas claras e voltar para casa", acrescentou.
O hantavírus foi confirmado pela primeira vez no navio em um britânico que desembarcou em 27 de abril na Ilha de Ascensão, no Atlântico, e foi transferido para Joanesburgo, na África do Sul.
Por enquanto, a OMS confirmou dois casos e há outros cinco suspeitos.
- "Sintomas gastrointestinais" -
Depois do caso do britânico, a organização confirmou na segunda-feira o contágio de uma holandesa de 69 anos, falecida em 26 de abril. Ela havia desembarcado na ilha de Santa Helena em 24 de abril com o corpo do marido, de 70 anos, falecido em 11 de abril após "apresentar sintomas de febre, dor de cabeça e diarreia leve".
Sua esposa também apresentava "sintomas gastrointestinais". Em 25 de abril, ela embarcou em um avião com destino a Joanesburgo, onde foi hospitalizada. Morreu no dia seguinte.
As autoridades tentam "localizar os passageiros" do voo Santa Helena–Joanesburgo no qual viajou essa holandesa, acrescentou a OMS.
O casal viajou pela Argentina antes de pegar o navio em 1º de abril.
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(B.Izyumov--DTZ)