Deutsche Tageszeitung - Diretor argentino Lisandro Alonso descobre o mundo indígena com 'Eureka'

Diretor argentino Lisandro Alonso descobre o mundo indígena com 'Eureka'


Diretor argentino Lisandro Alonso descobre o mundo indígena com 'Eureka'
Diretor argentino Lisandro Alonso descobre o mundo indígena com 'Eureka'

O diretor argentino Lisandro Alonso voltou ao Festival de Cannes para apresentar "Eureka", sua forma pessoal de descobrir o mundo indígena nos Estados Unidos e na América Latina, com um filme que não respeita fronteiras de tempo e espaço.

Alterar tamanho do texto:

O longa, que fez sua estreia em Cannes na noite de sexta-feira (19) fora da mostra competitiva, apresenta três histórias diferentes e entrelaçadas.

O filme começa com um curto western em preto e branco, interpretado pelo ator preferido de Alonso, Viggo Mortensen, e Chiara Mastroianni, com quem o diretor integrou há alguns anos um júri de Cannes.

Em uma elipse totalmente surpreendente, o espectador é levado para uma reserva do povo Oglala Lakota, um dos locais mais pobres dos Estados Unidos, na Dakota do Sul, onde uma policial local se vê sobrecarregada com a miséria e os problemas de sua gente.

Daí, em outro salto inesperado, a viagem segue para um território indígena em uma floresta do Brasil, onde seus integrantes contam seus sonhos uns aos outros ao raiar do dia e onde a ameaça vem dos garimpeiros em busca de ouro.

- Assumir riscos -

"Eu sabia que não seria um filme comum, [mas sim] difícil de diagramar e estruturar, e que não é um filme fácil para o público", admitiu Alonso em entrevista à AFP, após a estreia.

Filmado em inglês, português e idiomas indígenas, com 2h30 de duração, "Eureka" exige atenção do espectador.

"Bom, para mim, essa é a ideia: fazer coisas que me exijam um pouquinho mais e tentar assumir alguns riscos e testar, ainda que seja muito mais cansativo", acrescentou.

O diretor nascido em 1975 em Buenos Aires levou nove anos para concretizar o roteiro concebido ao fim das filmagens de "Jauja", um western que chamou atenção em Cannes, onde Alonso apresentou todos os seus longa-metragens em uma ou outra seção.

A covid-19 complicou a carreira de Lisandro Alonso, como aconteceu com tantos outros cineastas.

As filmagens mais árduas, explica, foram em Dakota do Sul, em pleno inverno, onde toda a equipe ficou bloqueada por uma tempestade de neve.

A comunidade lakota de Pine Ridge foi devastada por problemas de drogas e álcool. Segundo dados oficiais, 90% de seus habitantes não têm emprego fixo.

"As pessoas estão meio à deriva, vendo o que vão fazer no dia seguinte, mas sem muita direção, nem objetivos. Estão muito abandonados", explicou o diretor argentino, que conheceu a comunidade por intermédio de Viggo Mortensen.

No longa, destaca-se a atuação de uma jovem sioux, Sadie LaPointe, que passeia com olhar sereno pela desolação que a cerca, e que é um personagem-chave para a transição para a floresta no Brasil.

"Eureka" coincide em Cannes com outros filmes de temática indígena, a começar por "Assassinos da Lua das Flores", de Martin Scorsese, sobre uma série de homicídios em uma reserva indígena em Oklahoma, ou "Los Colonos", do chileno Felipe Gálvez, sobre as matanças dos povos originários após a independência.

"A Flor do Buriti", do português João Salaviza e da brasileira Renée Nader Messora, sobre a vida da tribo krahô e sua luta pela sobrevivência na aldeia Pedra Branca, no Tocantins, integra a mostra Um Certo Olhar.

"Pode ser que este seja o momento de pôr o tema sobre a mesa: não pode mais ser jogado debaixo do tapete porque muitos estão morrendo", afirmou Alonso.

(I.Beryonev--DTZ)

Apresentou

Boca Livre e Edu Lobo encerram domingo da FLIM com apresentação gratuita

O encontro “Boca Livre convida Edu Lobo” encerrou a programação deste domingo (1º) da 11ª Festa Literária Internacional de Maricá (FLIM), na Orla do Parque Nanci. Promovida pela Prefeitura de Maricá, a apresentação gratuita aconteceu às 21h, no Palco Principal, como parte da programação artística do “Língua ao Mar — A arte que fala português”.

Finados leva famílias ao Cemitério São Gonçalo

O Cemitério São Gonçalo, no bairro Camarão, recebe aproximadamente 5 mil pessoas nesta segunda-feira (2), Dia de Finados. Boa parte dos visitantes deixa flores e acende velas para relembrar os entes queridos que já partiram.

Túmulo de Paulinho Milagreiro mantém tradição de fé em Niterói

Neste Dia de Finados, o Cemitério do Maruí, no Barreto, em Niterói, recebeu pessoas que foram rezar e deixar flores em homenagem aos entes queridos. Outros visitantes, contudo, aproveitaram a data para pagar promessas ao menino Paulo Cesar de Souza Medina, o 'Paulinho Milagreiro', conhecido como autor de vários milagres.

Exposição itinerante do Museu do Aljube chega a Palmela e Pinhal Novo

A exposição itinerante "Os estudantes estão na rua, não fiques na tua!", concebida pelo Museu do Aljube, inicia hoje a sua passagem por Palmela. A mostra, que traça um paralelo entre as lutas estudantis atuais e o período da resistência à ditadura militar, permanecerá na Biblioteca Municipal de Palmela até 21 de novembro antes de se deslocar a Pinhal Novo.

Alterar tamanho do texto: