Deutsche Tageszeitung - Nobel de Literatura pode premiar liberdade de expressão

Nobel de Literatura pode premiar liberdade de expressão


Nobel de Literatura pode premiar liberdade de expressão
Nobel de Literatura pode premiar liberdade de expressão / foto: © AFP/Arquivos

Poderia a Academia Sueca realizar um discurso político ao anunciar o Prêmio Nobel de Literatura na próxima quinta-feira (5)? Se este for o caso, autores que defendem a liberdade de expressão podem ser contemplados, dizem especialistas.

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Entre os favoritos à honraria estão a autora e crítica do Kremlin, Lyudmila Ulitskaya, conhecida por seus romances épicos muitas vezes centrados nos relacionamentos pessoais, além do britânico Salman Rushdie, que sobreviveu a um esfaqueamento no ano passado, após viver escondido durante anos devido a uma sentença de morte proferida pelo Irã por seu romance "Os Versos Satânicos" (1988).

Para Lisa Irenius, editora cultural do jornal sueco Svenska Dagbladet, caso o Nobel de Literatura vá para Ulitskaya, que vive autoexilada na Alemanha, seria uma forma de indicar que "a literatura continua livre frente à política".

Já segundo Bjorn Wiman, editor cultural de outro jornal da Suécia, o Dagens Nyheter, a premiação desta autora russa representaria "uma mensagem muito política".

Wiman também acredita que há chances para a americana-caribenha Jamaica Kincaid, cujos romances são baseados na vida de sua família e nas experiências com o colonialismo e questões raciais. Mas seu favorito ao prêmio é Rushdie.

"É a hora dele vencer e, se o fizer, tiro o chapéu para a Academia" por defender a liberdade de expressão que Rushdie personifica, disse o editor.

- "Impensável" -

A Academia sueca tem sido alvo de críticas pelo predomínio de autores ocidentais, brancos e masculinos entre os ganhadores. Desde a criação do Nobel de Literatura, apenas 17 mulheres venceram a categoria, de um total de 119 contemplados.

Abalada pelo escândalo #MeToo em 2018, seguido da controversa indicação do austríaco Peter Handke - que se posicionava a favor do ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic, acusado de genocídio - ao Prêmio Nobel de 2019, procurou mudar a sua imagem.

No ano passado, ela concedeu a honraria à ícone feminista francesa Annie Ernaux. No ano anterior, foi a vez do romancista britânico de origem tanzaniana Abdulrazak Gurnah ser reconhecido pelo seu trabalho que explora as mazelas do exílio, do colonialismo e do racismo.

"Nos últimos anos, há mais consciência de que não se pode permanecer com uma perspectiva eurocêntrica, deve haver mais igualdade e o prêmio precisa refletir o seu tempo", afirmou a professora de literatura da Universidade de Estocolmo, Carin Franzen.

Vários membros da Academia, formada por autores, historiadores, filósofos e linguistas, participaram de debates políticos e sociais, organizaram seminários sobre liberdade de expressão e igualdade e publicaram artigos de opinião na imprensa sueca.

"Isso era impensável há cinco anos", disse Wiman, fazendo referência à formação anterior, que era mais fechada.

Para honrar sua promessa de mais diversidade, a Academia passou a consultar especialistas externos para compreender melhor o âmbito dos trabalhos provenientes de locais distantes.

"Dada a promessa da Academia de olhar para outras regiões geográficas, temo que acabemos sem o conhecimento necessário para adivinhar o vencedor, mesmo que possua um doutorado em literatura", admitiu Victor Malm, editor de cultura do popular jornal Expressen.

Entre outros nomes especulados para a categoria estão a escritora chinesa Can Xue, o autor romeno Mircea Cartarescu, os húngaros Peter Nadas e Laszlo Krasznahorkai, o albanês Ismail Kadare, o queniano Ngugi wa Thiong'o e a canadense Margaret Atwood, autora do famoso romance "O Conto da Aia" (1985).

(M.Dylatov--DTZ)

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