Deutsche Tageszeitung - Morre Peter Nadas, uma das grandes vozes da narrativa húngara

Morre Peter Nadas, uma das grandes vozes da narrativa húngara


Morre Peter Nadas, uma das grandes vozes da narrativa húngara
Morre Peter Nadas, uma das grandes vozes da narrativa húngara / foto: © AFP/Arquivos

O escritor húngaro Peter Nadas, figura-chave da literatura europeia e cuja obra monumental explorou os traumas do século XX, morreu nesta quarta-feira (26) aos 83 anos, informou à AFP seu agente literário Anett Orosz.

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Ele circulou naturalmente entre o romance, o ensaio e o teatro, e é considerado um dos maiores escritores contemporâneos da Hungria.

Sua atenção meticulosa ao detalhe e a fluidez de sua prosa resultaram em comparações frequentes com o autor francês Marcel Proust.

Foi um eterno candidato ao Prêmio Nobel de Literatura e recebeu vários prêmios internacionais. Sua obra monumental, "Histórias Paralelas", de mais de mil páginas, para a qual dedicou 18 anos de escrita, foi publicada em 2005 e foi elogiada por seu caráter experimental e audacioso.

A escritora americana Susan Sontag descreveu seu "Livro das Memórias", escrito entre 1975 e 1985, como "o melhor romance do nosso tempo e um dos melhores do século".

"Ler suas duas obras principais exige um estilo de vida que está desaparecendo: sentar-se e permanecer sentado durante muito tempo na poltrona", observou Sandor Bazsanyi, especialista em sua obra, que foi traduzida para vários idiomas.

Nascido em Budapeste em 14 de outubro de 1942 em uma família judia, foi criado por uma tia, pois sua mãe morreu de câncer em 1955 e seu pai se suicidou três anos depois.

Viveu os últimos meses da Segunda Guerra Mundial na capital húngara devastada pela guerra. Sua obra foi marcada por suas reflexões sobre os conflitos bélicos e a ditadura comunista, assim como por suas críticas profundas à sociedade contemporânea, ao desejo humano de posse e acúmulo, e às convulsões da Hungria contemporânea.

Fotógrafo de formação, trabalhou como jornalista até 1969 antes de se dedicar completamente a escrever romances, coleções de relatos e peças de teatro, que combinavam elementos autobiográficos, reflexões filosóficas e uma crítica ao sistema político da época.

Após sofrer uma crise cardíaca, foi reanimado e a experiência foi o ponto de partida para escrever "A Própria Morte" (2004). "Amo a vida... Mas também foi bom morrer. Nunca tinha conhecido um estado tão pacífico, tanta tranquilidade", explicou em uma entrevista.

Nadas criticou o ex-primeiro-ministro nacionalista Viktor Orbán, cujo sistema qualificou como "uma espécie de máfia do leste europeu".

(M.Dorokhin--DTZ)

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