Deutsche Tageszeitung - Mostra de Veneza começa com homenagem a George Clooney e falta de diretoras

Mostra de Veneza começa com homenagem a George Clooney e falta de diretoras


Mostra de Veneza começa com homenagem a George Clooney e falta de diretoras
Mostra de Veneza começa com homenagem a George Clooney e falta de diretoras / foto: © AFP

O Festival de Cinema de Veneza se rendeu aos encantos do carismático ator americano George Clooney nesta quarta-feira (2), no início de uma edição marcada pela presença reduzida de diretoras na mostra principal.

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Clooney, que brilhou no tapete vermelho do Lido com sua esposa, a advogada Amal Alamuddin, recebeu um Leão de Ouro honorário por sua carreira prolífica.

O ator, de 65 anos, conhecido por erguer a voz sobre questões políticas e humanitárias, defendeu a importância do cinema.

"Histórias são sempre perigosas para quem vive de espalhar medo", disse, ao receber o prêmio.

"Filmes não acabam com as guerras, não reduzem a inflação, não consertam eleições, mas fazem algo extraordinário: nos lembram que um desconhecido nunca é realmente um desconhecido, e que pode ser o herói na história de outra pessoa", acrescentou o astro de Hollywood, de olhar sedutor e cabelos grisalhos.

Minutos antes, ao elogiar sua carreira, a também atriz americana Laura Dern não hesitou em lembrar que Clooney foi designado duas vezes "o homem mais sexy" do mundo.

- "Caquistocracia" -

Horas antes, Clooney lamentou a situação em seu país sob a gestão de Donald Trump.

Perguntado durante uma coletiva de imprensa sobre como vê os Estados Unidos atualmente, o ator afirmou que o país atravessa "tempos difíceis".

"Existe uma grande palavra, caquistocracia, que é um país governado pelas pessoas menos capacitadas. Acredito que talvez tenhamos uma caquistocracia agora mesmo", declarou. "Mas vamos superar isso", completou.

O intérprete de "Onze Homens e um Segredo" era um dos astros mais aguardados desta 83ª edição do festival, na qual os estúdios de Hollywood são os grandes ausentes.

Outros nomes conhecidos da sétima arte que levarão glamour ao tapete vermelho em Veneza são Robert Pattinson, que interpreta um jornalista inescrupuloso em "Primetime"; John Malkovich, protagonista de "Wild Horse Nine", ambientado na Ilha de Páscoa; e Rooney e Kate Mara, que dão vida a duas irmãs que falam em uníssono em "Bucking Fastard".

Também na disputa pelo Leão de Ouro, "Bunker" trará a Veneza o explosivo casal de atores espanhóis Penélope Cruz e Javier Bardem.

- Atualidade geopolítica -

No total, 21 filmes vão disputar o prêmio máximo da mostra, que o júri, presidido pela atriz Maggie Gyllenhaal, entregará em 12 de setembro.

Provavelmente, a atualidade geopolítica voltará a ser um tema quente na mostra veneziana, o festival de cinema mais antigo do mundo.

O documentário "NAZA", que integra a mostra competitiva, codirigido pelo jornalista investigativo Yuval Abraham e a cineasta Rachel Szor - dois dos quatro autores de "Sem Chão" (2024), ganhador do Oscar de Melhor Documentário em 2025 - aborda "os sistemas que estão por trás dos massacres calculados dos civis palestinos em Gaza por parte de Israel", segundo o site do evento.

Outros filmes que tratam do conflito israelense-palestino são "The Road to Jericho", de Amos Gitai, e "Citizen Osama", de Ahmed Hassouna.

No ano passado, "A Voz de Hind Rajab", de Kaouther Ben Hania, sobre uma menina palestina morta pelas forças israelenses enquanto fugia da Cidade de Gaza, comoveu o festival.

- Poucas diretoras -

A cineasta israelense Rachel Szor é uma das duas mulheres diretoras incluídas na mostra competitiva este ano. A outra é a dinamarquesa Kvinde Ukendt, que apresenta o drama histórico "Woman unknown".

Muito criticado pela presença exígua de diretoras, Alberto Barbera, diretor artístico da Mostra, argumentou há alguns dias que menos de um quarto dos filmes apresentados ao comitê de seleção do festival tinham sido feitos por mulheres e que "a qualidade dos que vimos não era para que pudéssemos incluí-los na competição".

A própria Gyllenhaal se perguntou, nesta quarta-feira, na coletiva de imprensa do júri, por que havia tão poucas diretoras.

"É possível que os temas sobre os quais as mulheres - que experimentam de outra forma o fato de viver neste mundo -, querem fazer filmes não sejam considerados sempre como grande arte. Quem decide o que é bom? Quem decide o que tem valor?", questionou, sentada junto de Barbera.

- Documentário sobre Borges -

O ítalo-chileno Marco Bechis, diretor de "Garage Olimpo", disputa o Leão de Ouro com "Regreso a Buenos Aires", sobre um sobrevivente da ditadura argentina que retorna ao país para ser testemunha em um julgamento.

Na mostra Spotlight, Gael García Bernal apresenta seu novo filme como diretor, "Hombre al Agua", no qual também atua ao lado de Ricky Martin.

O cineasta argentino Mariano Llinás apresenta um projeto ambicioso: "Biografía de Jorge Luis Borges", documentário de mais de cinco horas sobre o célebre escritor argentino.

(M.Dorokhin--DTZ)

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