Deutsche Tageszeitung - Dinamarquesa May el-Toukhy ganha Leão de Ouro em Veneza com drama histórico 'Woman Unkown'

Dinamarquesa May el-Toukhy ganha Leão de Ouro em Veneza com drama histórico 'Woman Unkown'


Dinamarquesa May el-Toukhy ganha Leão de Ouro em Veneza com drama histórico 'Woman Unkown'
Dinamarquesa May el-Toukhy ganha Leão de Ouro em Veneza com drama histórico 'Woman Unkown' / foto: © AFP

A diretora dinamarquesa May el-Toukhy ganhou o Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza neste sábado (12) com "Woman Unknown", um drama histórico sobre uma empregada doméstica assombrada por um segredo durante a Segunda Guerra Mundial, em uma edição em que apenas duas mulheres foram indicadas ao prêmio principal.

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O filme conta a história de uma empregada doméstica que sobreviveu à ocupação nazista da Dinamarca durante a Segunda Guerra Mundial. Após a guerra, ela está prestes a se casar com o viúvo para quem trabalha, mas um segredo que carrega ameaça seu casamento.

A atriz que interpreta essa mulher atormentada pelo passado, a dinamarquesa Mathilde Arcel, ganhou o prêmio de melhor atriz.

Essa edição foi muito criticada pelo número limitado de diretoras na competição. Além de May el-Toukhy, a outra diretora indicada era a cineasta israelense Rachel Szor, que co-dirigiu o documentário "NAZA" com Yuval Abraham.

Oitava mulher a ser coroada no Festival de Cinema de Veneza, May el-Toukhy, ao receber o prêmio, disse que o filme "conta a história de mulheres invisíveis, esquecidas e sem voz".

Embora a realização do longa-metragem tenha sido difícil, ela explicou: "O que me motivou foi a necessidade urgente de dar visibilidade às mulheres desconhecidas da nossa história comum, de torná-las conhecidas". "Esta noite, sinto que consegui isso."

- "NAZA" leva Prêmio Especial do Júri -

O Leão de Prata, o segundo prêmio mais importante, foi para "Possible Love", com o qual o diretor sul-coreano Lee Chang-dong retornou ao cinema com uma sutil crítica social tendo como pano de fundo as demissões em massa, oito anos após "Em Chamas" (Burning).

O cineasta russo Ilya Khrzhanovsky ganhou o prêmio de melhor direção pelo épico histórico "Dau", que narra três décadas de brutalidade e totalitarismo na União Soviética pelos olhos de Lev Landau, um dos maiores físicos do século XX.

O prêmio de melhor ator foi para o americano John Malkovich — que não estava presente na cerimônia de premiação — por seu papel como um veterano agente da CIA em "Wild Nine Horse", uma comédia dramática ambientada na Ilha de Páscoa, no Chile, alguns meses antes do golpe de Augusto Pinochet em 1973.

O documentário "NAZA", feito pelos jornalistas israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor, sobre as mortes de civis palestinos na Faixa de Gaza, ganhou o Prêmio Especial do Júri.

Abraham e Szor, dois dos quatro diretores do filme vencedor do Oscar "Sem Chão" (No Other Land, 2024), apresentam os depoimentos de 24 membros das forças israelenses que descrevem como realizaram ataques em massa contra civis palestinos em Gaza usando dispositivos criados com inteligência artificial.

O documentário, exibido quase no final do festival, abalou o evento e recebeu 25 minutos de aplausos, um recorde na história do festival, segundo a imprensa especializada.

- Glamour e triunfo latino-americano -

Embora os estúdios de Hollywood estivessem notavelmente ausentes do Festival de Cinema de Veneza deste ano, o glamour certamente marcou presença no tapete vermelho.

Entre os que mais brilharam no Lido estavam os espanhóis Javier Bardem e Penélope Cruz, um dos casais mais carismáticos do cinema mundial. Em "Bunker", do francês Florian Zeller, eles interpretam um casal em crise após quase duas décadas juntos.

O ator britânico Robert Pattinson também chamou a atenção por seu papel como um jornalista controverso que investiga pedófilos em "Primetime".

O cinema latino-americano, escasso na seleção oficial, triunfou nas seções paralelas dedicadas a novos talentos.

O filme brasileiro "London", de Victor di Marco e Márcio Picoli, dividiu o prêmio Leão Queer com "Queer Edward II", de Theo Rollason, como melhor obra sobre temas e cultura LGBTQIA+ entre todos os filmes do festival.

O filme argentino "A veces me entra tristeza, otras veces rebelión", de María Aparicio, levou para casa o prêmio principal na seção Giornate degli Autori.

Os cineastas colombianos Bibiana Rojas Gómez e Juan David Cárdenas ganharam um prêmio na Semana da Crítica por seu documentário experimental "El fin de los tiempos", feito com imagens de arquivo e outras geradas por inteligência artificial.

(Y.Ignatiev--DTZ)

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