Deutsche Tageszeitung - Congresso avança rumo ao fim da escala 6x1

Congresso avança rumo ao fim da escala 6x1


Congresso avança rumo ao fim da escala 6x1
Congresso avança rumo ao fim da escala 6x1 / foto: © AFP

A Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos, nesta quarta-feira (27), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para reduzir a jornada de trabalho semanal e garantir aos trabalhadores dois dias de descanso, uma vitória para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a menos de cinco meses das eleições. O texto segue agora para o Senado.

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Defendida por movimentos sociais, mas contestada por grupos empresariais, a PEC visa reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. Ela extinguiria a chamada "escala 6x1" atualmente em vigor, e estabeleceria, em seu lugar, dois dias de descanso.

"O povo vai trabalhar cinco dias e poder descansar dois", afirmou o presidente Lula na terça-feira durante um evento no estado do Amazonas.

Caso seja aprovada pelo Congresso, esta será a primeira redução na jornada de trabalho semanal no Brasil desde a promulgação da Constituição de 1988.

Sindicatos e grupos de esquerda defendem a medida como uma grande conquista, capaz de melhorar a qualidade de vida e a saúde mental dos trabalhadores em um país com uma economia caracterizada por índices de desemprego historicamente baixos, mas, ao mesmo tempo, por altos níveis de trabalho informal.

"A escala 6x1 é desumana, a escala 6x1 rouba a esperança, rouba a dignidade. (...) As pessoas precisam trabalhar para viver e não viver para trabalhar", afirmou a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), uma das principais articuladoras da reforma, antes de sua aprovação por ampla maioria.

Segundo a PEC, a implementação ocorrerá em duas etapas, ao longo de 14 meses, com ajustes adaptados a cada setor.

A reforma enfrenta resistência da oposição política e de empresários, que alertam para a perda de competitividade, o aumento de custos e um potencial impacto sobre o emprego.

"Cadê a previsibilidade, cadê a segurança jurídica?", questionou Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria.

Esse debate se desenrola em um momento em que o governo Lula impulsiona medidas de significativo impacto social, às vésperas das eleições presidenciais de outubro.

O presidente busca um quarto mandato. Seu principal adversário é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente de Jair Bolsonaro.

Segundo dados da PEC, cerca de 14,8 milhões de brasileiros estão sujeitos a uma escala de trabalho de 6 por 1, enquanto outros 20,9 milhões trabalham além do limite legal de 44 horas.

Na América Latina, países como Chile, Equador, Venezuela e, mais recentemente, o México, consagraram a jornada de 40 horas semanais em suas legislações.

No entanto, segundo a Organização Internacional do Trabalho, as semanas de 48 horas continuam sendo a norma em toda a região.

(I.Beryonev--DTZ)