Deutsche Tageszeitung - Meta sabia que ferramentas para adolescentes eram ineficazes, dizem testemunhas

Meta sabia que ferramentas para adolescentes eram ineficazes, dizem testemunhas


Meta sabia que ferramentas para adolescentes eram ineficazes, dizem testemunhas
Meta sabia que ferramentas para adolescentes eram ineficazes, dizem testemunhas / foto: © AFP

A Meta sabia que as ferramentas do Instagram para proteger os adolescentes eram ineficazes, afirmaram testemunhas durante o julgamento em que 29 estados americanos acusam a gigante das redes sociais de mentir sobre os riscos da plataforma.

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Com mais de 3 bilhões de usuários no mundo, a Meta se defende de acusações de um grupo de estados que afirmam que a empresa desenvolveu seus produtos para viciar crianças e coletar seus dados. O julgamento acontece na Califórnia e deve durar até o fim de setembro.

Documentos internos da Meta apresentados ao júri indicam que a função que permite ao usuário configurar lembretes para parar de rolar a tela teve uma taxa de adesão de 1,8%. Já o modo que silencia as notificações noturnas foi ativado por 8,7%.

Francesco Fogu, diretor de design de produto do Instagram, disse no interrogatório de hoje que não podia confirmar os números, mas admitiu que a empresa "sabia que as taxas de adoção seriam menores" se as ferramentas não estivessem ativadas por padrão.

A juíza Yvonne Rogers, que decidirá o caso tendo o veredito do júri como referência, pareceu surpresa com o fato de Fogu desconhecer os dados internos. O diretor se mostrou combativo em alguns momentos, durante o interrogatório de um dos advogados dos estados.

Dois ex-funcionários também disseram que as ferramentas eram ineficazes. "Na minha experiência, 'Take a Break' é uma função desenvolvida para falhar", declarou na semana passada Arturo Bejar, ex-diretor de engenharia da Meta.

O cientista de dados George Volichenko, que trabalhou em recursos de segurança do Instagram em 2022 e 2023, apontou ontem que as taxas de adoção desses recursos eram "muito baixas e decepcionantes" e descreveu a liderança da Meta como pouco interessada em promover o seu uso.

Segundo Volichenko, a diretoria não aprovou a ativação do modo silencioso por padrão para adolescentes mais jovens, o que prejudicou a sua adoção, uma vez que a função não era facilmente localizada no aplicativo. Ativar os recursos de segurança por padrão teria "um impacto negativo considerável" na interação dos usuários, acrescentou.

O modelo de negócios da Meta gira em torno da venda de publicidade, e a empresa lucra mais quando os usuários passam mais tempo em seus aplicativos.

(P.Tomczyk--DTZ)