Deutsche Tageszeitung - Bombardeios entre Irã e Paquistão agravam tensões em uma região desestabilizada

Bombardeios entre Irã e Paquistão agravam tensões em uma região desestabilizada


Bombardeios entre Irã e Paquistão agravam tensões em uma região desestabilizada
Bombardeios entre Irã e Paquistão agravam tensões em uma região desestabilizada / foto: © AFP

Os bombardeios iranianos no Paquistão e a resposta paquistanesa em solo iraniano contra redutos de grupos insurgentes esta semana criaram um novo foco de tensão em uma região que já está em brasa, dizem analistas.

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"Nenhum dos dois lados havia lançado esse tipo de ataque anteriormente", disse à AFP Nausheen Wasi, professora de Relações Internacionais da Universidade de Karachi, preocupada com o risco de uma "escalada".

O Paquistão, o único país muçulmano com armas nucleares, e a vizinha República Islâmica do Irã enfrentam grupos insurgentes há décadas ao longo dos 1.000 quilômetros de fronteira em comum.

Na terça-feira (16), o Irã anunciou que bombardeou posições do "grupo terrorista" Jaish al Adl em território paquistanês. O Paquistão retaliou na quinta-feira, bombardeando bases de separatistas paquistaneses da etnia baluchi em território iraniano.

O ataque iraniano deixou duas crianças mortas, segundo Islamabad, enquanto pelo menos nove pessoas, incluindo quatro crianças e três mulheres, morreram nos bombardeios paquistaneses, segundo a imprensa estatal iraniana.

Nesse contexto, o Paquistão também chamou de volta seu embaixador no Irã e proibiu o retorno do enviado iraniano a Islamabad.

Cada lado acusa o outro de não ser capaz de controlar os grupos armados que operam a partir do território vizinho.

Esses bombardeios se somam às múltiplas crises no Oriente Médio, começando pela guerra entre Israel e o Hamas em Gaza, deflagrada em 7 de outubro pela sangrenta incursão de milicianos islamistas no sul de Israel.

- "Linhas vermelhas" -

O agravamento de alguns conflitos está relacionado com a guerra em Gaza.

Os rebeldes huthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, atacaram navios mercantes no Mar Vermelho nas últimas semanas, em solidariedade com os habitantes de Gaza. E as forças israelenses trocam disparos quase diariamente com o movimento islamista pró-iraniano Hezbollah, na fronteira com o Líbano.

Os conflitos paralelos também esquentaram.

Na terça, o Irã usou mísseis balísticos para atacar bases de "espiões" e alvos "terroristas" na Síria e no Curdistão iraquiano.

De acordo com Sanam Vakil, do "think tank" britânico Chatham House, o Irã prevê que as tensões com Israel, seu inimigo jurado, "aumentem", à medida que a guerra em Gaza se arrasta e, com seus bombardeios, "está estabelecendo linhas vermelhas para mostrar diretamente a Israel o que irá responder, ou não".

"O Irã quer reforçar sua posição", concorda Nausheen Wasi. "Os ataques são uma advertência para a comunidade internacional, mais do que para o Paquistão".

De qualquer modo, a resposta paquistanesa alimenta temores de uma escalada.

Mas "a consequência da nova situação é que os dois países estão (agora) aparente e simbolicamente iguais", avalia Antoine Levesques, do International Institute for Strategic Studies (IISS).

"Os riscos de uma nova escalada são mínimos e podem diminuir com o tempo", observa.

Sanam Vakil considera que a resposta paquistanesa "parece bastante moderada" e copia o método do Irã, que ressaltou que ataca apenas grupos iranianos que operam do exterior.

- Eleições no Paquistão -

A agência iraniana de notícias Fars disse que as vítimas de quinta-feira seriam de nacionalidade paquistanesa, sem citar fontes.

"Realmente há espaço para a desescalada", acredita Vakil. "Poderiam encontrar uma solução que permitisse (a todos) salvar as aparências", acrescenta.

Em 8 de fevereiro, o Paquistão realizará eleições gerais, nas quais o todo-poderoso Exército já foi acusado de tentar influenciar o resultado.

O ex-primeiro-ministro Imran Khan, o político mais popular do país, está atualmente detido e foi declarado inelegível durante cinco anos, depois de atacar o Exército.

Outro ex-primeiro-ministro, Nawaz Sharif, que dirigiu o país três vezes, é considerado favorito nas eleições e analistas acreditam que ele conta com o apoio dos militares.

O Paquistão também enfrenta um forte aumento dos atentados na fronteira com o Afeganistão e uma deterioração de suas relações com as autoridades talibãs em Cabul.

"Não subestime o impulso político que o Exército pode obter com esta represália contra o Irã", afirma Michael Kugelman, diretor do Instituto do Sul da Ásia no "think tank" Wilson Center, em Washington.

"Sua repressão contra Imran Khan e seu partido avivou a ira pública contra o Exército. O ataque em represália pode ter um efeito unificador em torno da bandeira, mesmo que apenas momentaneamente", escreveu na rede social X.

(P.Vasilyevsky--DTZ)

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