Deutsche Tageszeitung - Kirchner acusa Milei de levar Argentina 'à beira do colapso'

Kirchner acusa Milei de levar Argentina 'à beira do colapso'


Kirchner acusa Milei de levar Argentina 'à beira do colapso'
Kirchner acusa Milei de levar Argentina 'à beira do colapso' / foto: © Cristina Fernandez de Kirchner's Press service/AFP

A ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, acusou o atual mandatário, o ultraliberal Javier Milei, de deixar o país à beira de um colapso e o descreveu como um "showman-economista", em um documento publicado nesta quarta-feira (14) em suas redes sociais.

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"Até agora, o governo só implantou um programa de ajuste feroz que atua como um verdadeiro plano de desestabilização", disse Kirchner em um extenso documento publicado na rede X sob o título "Argentina em sua terceira crise da dívida".

Essa situação, continuou ela, "não apenas retroalimenta a espiral inflacionária, colocando a sociedade à beira do colapso, mas também provocará irremediavelmente um aumento do desemprego e do desespero social em uma espécie de caos planejado".

Kirchner, que também foi vice-presidente do peronista Alberto Fernández até dezembro de 2023, quando Milei assumiu o cargo, descreveu o presidente como um "showman-economista".

Ela também mirou no ministro da Economia, Luis Caputo, a quem chamou de "o arquiteto do endividamento em série do governo do [ex-presidente] Mauricio Macri" (2015-2019), do qual ele também era ministro quando o país acordou um empréstimo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) de US$ 44 bilhões (218 bilhões de reais).

Caputo rejeitou as críticas e responsabilizou Kirchner por gerar "todo o déficit fiscal dos últimos 16 anos".

"Senhora, nunca é tarde demais para aprender um conceito econômico muito básico que, infelizmente, a senhora sempre ignorou: a dívida só é contraída quando há um déficit fiscal", escreveu Caputo no X.

O ministro do Interior, Guillermo Francos, também criticou a ex-presidente na rádio Mitre, dizendo que "ela tem o descaramento de se expressar como se não fosse responsável por nada".

Cristina Kirchner advertiu ao presidente que "a legitimidade do governo só pode ser alcançada com a melhoria da qualidade de vida dos argentinos".

"Outras forças políticas, em diferentes estágios, que ganharam sua própria força e foram infundidas com um ar de fundação, não conseguiram concluir seus mandatos quando não conseguiram dar à sociedade a qualidade de vida que os argentinos exigiam", disse ela.

O governo Milei promoveu por decreto uma forte desregulamentação da economia que, juntamente com a desvalorização da moeda, resultou em aumentos generalizados de preços e tarifas de serviços públicos, em um país que já estava em uma espiral inflacionária e que fechou 2023 com um aumento de 211,4% no IPC.

A pobreza deve chegar a 50%, de acordo com as estimativas dos analistas.

(P.Hansen--DTZ)