Deutsche Tageszeitung - Moraes nega devolução de passaporte a Bolsonaro

Moraes nega devolução de passaporte a Bolsonaro


Moraes nega devolução de passaporte a Bolsonaro
Moraes nega devolução de passaporte a Bolsonaro / foto: © AFP/Arquivos

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou a devolução do passaporte a Jair Bolsonaro, investigado por um suposto plano golpista, informou a corte nesta sexta-feira (29).

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O ex-presidente desejava viajar a Israel, atendendo a um convite do primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu.

Os advogados de Bolsonaro haviam solicitado na quinta-feira a devolução do documento, "ainda que por prazo determinado", diante do convite oficial para visitar Israel entre 12 e 18 de maio com sua família.

No entanto, o pedido foi negado por Moraes, encarregado da investigação que aponta Bolsonaro como suspeito de planejar um golpe de Estado que visava impedir que Luiz Inácio Lula da Silva assumisse a Presidência em janeiro de 2023.

No contexto dessa investigação, a Polícia Federal (PF) confiscou seu passaporte em 8 de fevereiro.

A defesa de Bolsonaro, que nega as acusações e o declara vítima de uma perseguição, afirmou que a viagem não acarreta nenhum risco ao processo.

Mas o ministro expressou em sua decisão que "a medida cautelar permanece necessária e adequada”, visto que a investigação “ainda se encontra em andamento”.

“É absolutamente prematuro remover a restrição imposta ao investigado”, acrescentou Moraes, compartilhando o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Bolsonaro, impedido de se candidatar a cargos públicos, está sob escrutínio da Justiça em vários casos, o que faz seus críticos considerarem haver um risco de fuga.

Na segunda-feira, o jornal americano The New York Times publicou uma informação segundo a qual o ex-presidente teria se “escondido na embaixada húngara” em Brasília dias após seu passaporte ser confiscado.

Seus advogados negaram que ele estivesse tentando fugir da Justiça e disseram que a estadia de "dois dias" tinha como objetivo "manter contatos com autoridades do país amigo", chefiado pelo presidente de extrema direita Viktor Orban.

Na segunda-feira, Moraes deu prazo de 48 horas ao ex-presidente para explicar à Justiça sua visita e permanência na embaixada da Hungria.

Aliado próximo de Netanyahu, Bolsonaro foi convidado pelo premiê israelense em 26 de fevereiro, dias após o início de uma crise diplomática entre Israel e Brasil.

As relações se deterioraram após Lula comparar os ataques israelenses na Faixa de Gaza ao Holocausto.

Após essas declarações, Israel declarou Lula "persona non grata" e convocou o embaixador brasileiro em Tel Aviv. O Brasil, por sua vez, chamou o seu para consultas e convocou o representante israelense em Brasília.

(L.Møller--DTZ)

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