Deutsche Tageszeitung - Asfura, apoiado por Trump, novo presidente de Honduras

Asfura, apoiado por Trump, novo presidente de Honduras


Asfura, apoiado por Trump, novo presidente de Honduras
Asfura, apoiado por Trump, novo presidente de Honduras / foto: © AFP

O empresário de direita Nasry Asfura, presidente eleito de Honduras, carrega o estigma de um partido que teve um ex-mandatário preso nos Estados Unidos por acusações de narcotráfico, mas isso não o impediu de ser escolhido por Donald Trump como um "aliado" contra os "narco-comunistas".

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Sua vitória, oficializada na quarta-feira (24), marca o retorno da direita ao poder em Honduras, impulsionada pelo mandatário americano, que pressionou os hondurenhos a votar no empresário e concedeu indulto ao ex-presidente Juan Orlando Hernández, do mesmo partido de Asfura e condenado por narcotráfico.

"O único verdadeiro amigo da liberdade em Honduras é 'Tito' Asfura. (...) Podemos trabalhar juntos para lutar contra os narco-comunistas", disse Trump poucos dias antes da votação.

Asfura, de 67 anos e estilo simples, leva o Partido Nacional (PN) de volta ao poder. Ele venceu por menos de um ponto percentual o candidato de direita Salvador Nasralla, do Partido Liberal (PL), segundo a turbulenta apuração dos votos das eleições de 30 de novembro.

Ele assumirá o poder em 27 de janeiro, após uma candidatura fracassada em 2021, quando foi derrotado pela atual presidente de esquerda Xiomara Castro.

Trump ameaçou cortar a ajuda para Honduras, um dos países mais pobres da América Latina, se Asfura não fosse o vitorioso.

O presidente eleito agradeceu o apoio e lembrou que dois milhões de hondurenhos vivem nos Estados Unidos, principal parceiro comercial do país.

Durante a campanha, ele insistiu na necessidade de "salvar a democracia". "É agora ou nunca", repetiu nos comícios.

Asfura afirma que lidera um partido "renovado" e nega vínculos com Hernández (2014-2022), que foi extraditado e condenado, em 2024, a 45 anos de prisão nos Estados Unidos.

"Cada um responde por seus atos", disse Asfura durante a campanha. Após a intervenção de Trump, no entanto, ele afirmou que o indulto pode trazer "tranquilidade à família" do ex-presidente.

- Acusações -

Asfura estudou Engenharia Civil na Universidade Nacional, mas abandonou o curso para fundar uma empresa que se transformaria em um dos maiores grupos de construção do país.

Filho de imigrantes palestinos, nasceu em 8 de junho de 1958 em Tegucigalpa, cidade da qual foi prefeito por dois mandatos, de 2014 a 2022.

Construiu pontes, túneis e outras obras de infraestrutura para descongestionar a cidade, de mais de um milhão de habitantes.

Sua trajetória empresarial e política está marcada por suspeitas de corrupção. Ele foi acusado de suposto desvio de recursos municipais, mas o Supremo Tribunal decidiu não levar o caso a julgamento.

Também foi citado no escândalo "Pandora Papers" por possuir empresas offshore registradas no Panamá para suposta evasão de impostos. "Não devo, não temo. Não tenho nada a esconder", insiste.

Em seus discursos, ele promete "trabalho e mais trabalho", desenvolver infraestruturas e atrair investimentos para gerar empregos.

Também expressou disposição de se aproximar de Taiwan, depois que Xiomara Castro estabeleceu relações com a China em 2023.

Os amigos dizem que é apaixonado por música e um homem de poucas palavras, mas de muita ação. Ele prefere telefones analógicos, mas também usa um iPhone cujo papel de parede é uma imagem do Sagrado Coração de Jesus.

Asfura é casado com Lissette del Cid, com quem tem três filhas. Também tem três netos.

(W.Budayev--DTZ)

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