Deutsche Tageszeitung - Irã 'não cederá' diante dos manifestantes, adverte líder supremo

Irã 'não cederá' diante dos manifestantes, adverte líder supremo


Irã 'não cederá' diante dos manifestantes, adverte líder supremo
Irã 'não cederá' diante dos manifestantes, adverte líder supremo / foto: © AFP

O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, advertiu nesta sexta-feira (9) que seu país "não cederá" diante de uma onda crescente de protestos que representa um sério desafio à República Islâmica, no poder desde 1979.

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Aos gritos de "morte ao ditador", iranianos pedem abertamente nas ruas de Teerã e de outras cidades o fim do sistema teocrático xiita, após quase duas semanas de um movimento inicialmente ligado ao descontentamento com o alto custo de vida.

Com os olhos irritados pelo gás lacrimogêneo e a garganta afetada depois de gritar palavras de ordem nas ruas, o vendedor de telefones celulares Majid (nome fictício) acredita que os protestos não vão cessar.

"Sabemos que arriscamos nossas vidas, mas mesmo assim fazemos isso e continuaremos fazendo, por um futuro melhor", disse o manifestante a jornalistas.

Khamenei reagiu nesta sexta-feira, em um discurso diante de seus apoiadores, adotando um tom incisivo em pronunciamento transmitido pela televisão estatal.

"A República Islâmica não cederá diante dos sabotadores", afirmou.

"Ontem à noite em Teerã, um bando de vândalos veio destruir um edifício (...) para prestar homenagem ao presidente dos Estados Unidos", acrescentou o líder supremo.

Mas o "arrogante" Donald Trump, disse ele, será "derrubado", assim como foi a dinastia imperial que governou o Irã até a Revolução Islâmica de 1979.

Khamenei acusou ainda o presidente republicano de ter as "mãos manchadas com o sangue de mais de mil iranianos", em aparente referência à guerra de 12 dias com Israel, em junho de 2025, da qual os Estados Unidos participaram ao bombardear instalações nucleares da República Islâmica.

Na véspera, Trump havia voltado a ameaçar "atingir duramente" o Irã caso as autoridades matassem manifestantes.

"Estamos prontos para fazê-lo", disse Trump, que elogiou o "entusiasmo incrível [do povo] para derrubar este regime".

- Mobilização em várias cidades -

O discurso de Khamenei ocorreu um dia após grandes protestos na capital iraniana, Teerã.

Imagens verificadas pela AFP mostram multidões a pé desafiando o governo ou motoristas buzinando em apoio ao movimento.

Outros vídeos registraram manifestações em diferentes partes do país, incluindo Tabriz, no norte, a cidade santa de Mashhad, no leste, e regiões do oeste de maioria curda, especialmente nos arredores de Kermanshah.

Em várias imagens que a AFP ainda não conseguiu verificar, é possível ver manifestantes incendiando a entrada da filial regional da televisão estatal em Isfahan.

Outros vídeos mostravam chamas no prédio da administração municipal de Shazand, no centro do país, após manifestantes se reunirem nas proximidades.

Reza Pahlavi, filho do xá deposto em 1979 e figura da oposição no exílio, convocou nesta sexta-feira uma nova demonstração de força nas ruas para ampliar a mobilização e "enfraquecer ainda mais o poder repressivo do regime".

Trata-se dos maiores protestos no Irã desde os registrados em 2022 após a morte de Mahsa Amini, detida por supostamente usar o véu de forma inadequada.

As manifestações ocorrem em um momento em que o Irã está enfraquecido após a guerra com Israel e os golpes sofridos por vários de seus aliados regionais, em paralelo a ONU restabeleceu sanções relacionadas ao programa nuclear do país em setembro.

Organizações de defesa dos direitos humanos acusaram as autoridades iranianas de abrir fogo contra manifestantes, matando dezenas de pessoas desde o início dos protestos, em 28 de dezembro.

A França pediu nesta sexta-feira às autoridades iranianas que "exerçam a máxima moderação" em sua resposta às manifestações, segundo uma fonte diplomática.

Um dia antes, a Alemanha havia denunciado o "uso excessivo da força" por parte do governo iraniano "contra manifestantes pacíficos" e instado as autoridades de Teerã a "respeitar suas obrigações internacionais" nessa área.

(U.Stolizkaya--DTZ)

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