Deutsche Tageszeitung - Irã afirma estar pronto para guerra diante de ameaças de Trump

Irã afirma estar pronto para guerra diante de ameaças de Trump


Irã afirma estar pronto para guerra diante de ameaças de Trump
Irã afirma estar pronto para guerra diante de ameaças de Trump / foto: © AFP

O Irã está preparado para uma guerra e também pronto para negociar, disse nesta segunda-feira (12) o chanceler Abbas Araqchi, depois que Washington reiterou suas ameaças de intervir militarmente caso a repressão ao movimento de protesto, que teria deixado ao menos quase 200 mortos, não cesse.

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Diante das grandes concentrações dos últimos dias em Teerã e em outras cidades, as autoridades convocaram contramanifestações nesta segunda-feira em apoio à República Islâmica, que enfrenta um de seus maiores desafios sociais desde sua proclamação, em 1979.

A ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, afirmou no domingo que havia ao menos 192 manifestantes mortos desde o início dos protestos, em 28 de dezembro, mas advertiu que o balanço real pode ser muito maior.

"Informações não verificadas indicam que ao menos várias centenas, ou até mais de 2.000 pessoas segundo algumas fontes, foram assassinadas", ressaltou a ONG, que também registrou mais de 2.600 detenções.

Apesar do corte da internet imposto pelas autoridades desde 8 de janeiro, imagens vazadas de Teerã e de outras cidades do Irã, provavelmente por via satelital, mostraram grandes manifestações nas últimas noites.

Em um vídeo checado pela AFP, aparecem dezenas de corpos envolvidos em sacos pretos diante de um necrotério na capital, enquanto várias pessoas parecem procurar familiares desaparecidos.

Em Teerã, a vida parecia quase paralisada, segundo um jornalista da AFP.

Inicialmente, os protestos eram contra o aumento do custo de vida, mas, com o passar dos dias, transformaram-se em um movimento contra o regime teocrático que governa o Irã desde a revolução.

Essas manifestações ocorrem em um país enfraquecido pela guerra de 12 dias com Israel em junho de 2025, pelos golpes sofridos por vários de seus aliados regionais e pelas sanções relacionadas a seu programa nuclear.

- "Opções muito fortes" -

Depois de ameaçar várias vezes ordenar uma intervenção militar em resposta à repressão, o presidente americano, Donald Trump, afirmou no domingo que os líderes iranianos queriam "negociar" e que "uma reunião estava sendo preparada", sem descartar a opção militar.

"Talvez tenhamos que agir antes de uma reunião", disse Trump, acrescentando que o Exército americano estudava "opções muito fortes".

O Irã "não busca a guerra, mas está totalmente preparado", afirmou nesta segunda-feira o chanceler Abbas Araqchi, em uma conferência de embaixadores estrangeiros em Teerã.

No entanto, o diplomata acrescentou que "também estamos preparados para negociar", mas ponderou que "essas negociações devem ser justas, com igualdade de direitos e baseadas no respeito mútuo".

No domingo à tarde, o governo declarou três dias de luto nacional pelos "mártires da resistência", em referência principalmente a membros das forças de segurança mortos nos protestos.

As autoridades dizem compreender as reivindicações econômicas dos manifestantes, mas criticam os "baderneiros" que, segundo elas, estariam sendo manipulados pelo exterior, liderado pelos Estados Unidos e por Israel.

O presidente do Irã, Masud Pezeshkian, instou a população a participar de uma "marcha de resistência" em todo o país nesta segunda-feira, para denunciar a violência cometida, segundo ele, por "criminosos terroristas urbanos".

No domingo, um vídeo amplamente compartilhado voltou a mostrar manifestantes reunidos no distrito de Punak, em Teerã, entoando palavras de ordem em apoio à monarquia deposta.

Reza Pahlavi, filho do xá deposto e figura da oposição iraniana desde seu exílio nos Estados Unidos, instou nas redes sociais as forças armadas e de segurança a "apoiar o povo".

(L.Barsayjeva--DTZ)

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