Deutsche Tageszeitung - Groenlândia e Otan prometem aumentar segurança no Ártico para tirar argumentos de Trump

Groenlândia e Otan prometem aumentar segurança no Ártico para tirar argumentos de Trump


Groenlândia e Otan prometem aumentar segurança no Ártico para tirar argumentos de Trump
Groenlândia e Otan prometem aumentar segurança no Ártico para tirar argumentos de Trump / foto: © AFP/Arquivos

A Otan e a Groenlândia anunciaram, nesta segunda-feira (12), a intenção de cooperar para reforçar a defesa deste vasto território autônomo dinamarquês, com o objetivo de dissuadir Donald Trump, decidido a assumir seu controle sob o argumento da ameaça chinesa e russa.

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O presidente dos Estados Unidos aumentou os temores ao declarar no domingo que tomaria a Groenlândia "de uma forma ou de outra" e descartou a possibilidade de um arrendamento afirmando que precisam "da propriedade".

Diante da possibilidade, cada vez mais verossímil, de uma tentativa de anexação pela força, o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, depositou suas esperanças na Aliança Atlântica - da qual os Estados Unidos são o membro mais poderoso.

"Nossa segurança e defesa são responsabilidade da Otan. Este é um princípio fundamental e inabalável", declarou nesta segunda.

- "Estreita colaboração com a Otan" -

Assim, o governo groenlandês "se empenhará para garantir que o desenvolvimento da defesa na Groenlândia e em seus arredores seja realizado em estreita colaboração com a Otan, por meio do diálogo com nossos aliados, incluindo os Estados Unidos, e em cooperação com a Dinamarca", acrescentou.

Essa afirmação parece fazer parte de um esforço conjunto com o secretário-geral da organização, Mark Rutte, para convencer Trump de que a Groenlândia está segura diante da Rússia e da China, os argumentos apresentados pelo presidente americano para justificar seu desejo de controle.

Os Estados-membros da Otan discutiram o tema na semana passada em Bruxelas e cogitaram várias opções, como aumentar o número de navios no Ártico, mas não foram tomadas decisões concretas.

No entanto, é incerto se esse esforço prometido convencerá Trump, que reconheceu na semana passada que provavelmente teria de escolher entre preservar a integridade da Aliança Atlântica e assumir o controle da Groenlândia.

Uma anexação significaria o fim da Otan, advertiu a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, no início de janeiro.

No último ano, a Dinamarca aumentou significativamente seus investimentos na Groenlândia para apaziguar Washington. Em 2025, Copenhague destinou 1,2 bilhão de euros (7,5 bilhões de reais) à segurança na região, lembrou Frederiksen.

Essa vasta ilha ártica, com uma população de 57 mil habitantes, possui importantes recursos minerais, a maioria ainda inexplorados, e é considerada um local estratégico.

Os Estados Unidos já mantêm uma base militar ali - chegaram a operar cerca de dez durante a Guerra Fria - e, segundo Rutte, "os dinamarqueses não teriam nenhum problema" se os Estados Unidos estabelecessem "uma presença maior do que a atual".

Desde 1951, um acordo de defesa, atualizado em 2004, concedeu às forças armadas americanas praticamente plena liberdade em território groenlandês, com a única condição de informarem previamente as autoridades.

- Preparativos diplomáticos -

A Dinamarca também tentará jogar a carta diplomática com uma reunião prevista para esta semana, possivelmente em Washington, entre autoridades dinamarquesas, groenlandesas e o secretário de Estado americano.

A diplomacia dinamarquesa busca apresentar uma frente unida com as lideranças da Groenlândia, após a imprensa ter noticiado, na semana passada, uma tensa videoconferência entre parlamentares dinamarqueses e groenlandeses sobre como negociar com os Estados Unidos.

Diante das reiteradas ameaças de Trump, o primeiro-ministro groenlandês reconheceu em sua mensagem de segunda-feira entender que exista "preocupação" entre a população e reiterou que o governo não aceitaria "sob nenhuma circunstância" cair em mãos americanas.

Essa posição é amplamente compartilhada pelos moradores da capital, Nuuk. "Americanos? Não! Fomos uma colônia durante tantos anos. Não estamos preparados para voltar a ser uma colônia, para ser colonizados", declarou à AFP o pescador e caçador Julius Nielsen, de 48 anos.

(M.Travkina--DTZ)

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