Deutsche Tageszeitung - Trump ameaça taxar países que não apoiarem seu plano para a Groenlândia

Trump ameaça taxar países que não apoiarem seu plano para a Groenlândia


Trump ameaça taxar países que não apoiarem seu plano para a Groenlândia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta sexta-feira (16) impor tarifas aos países que não apoiarem seu plano de tomar a Groenlândia, coincidindo com uma visita de congressistas americanos a Copenhague para expressar apoio à Dinamarca.

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O presidente republicano reafirmou que seu país precisa da ilha por razões de segurança nacional, no momento em que países europeus enviaram uma missão militar de exploração à Groenlândia em apoio à Dinamarca, membro da Otan e uma aliada tradicional de Washington.

Trump já ameaçou em diversas ocasiões anexar a Groenlândia, um território autônomo dinamarquês no Ártico. A Casa Branca afirma que considera comprar a ilha, mas não descartou uma intervenção militar nesse território, rico em recursos minerais.

A ameaça envolvendo tarifas foi feita após uma reunião nesta semana em Washington entre representantes da Dinamarca e Groenlândia e o vice-presidente e o secretário de Estado americanos. Depois do encontro, a Dinamarca reforçou sua presença militar na Groenlândia e conseguiu o envio de efetivos de Alemanha, França, Finlândia, Noruega, Holanda, Reino Unido e Suécia para uma missão na ilha.

- EUA convidado -

O general Søren Andersen, chefe do Comando Conjunto do Ártico da Dinamarca, afirmou hoje à AFP que os Estados Unidos foram convidados a participar de exercícios militares na Groenlândia, e indicou que esse destacamento tem relação com a Rússia, uma das preocupações mencionadas por Trump.

"É claro que os Estados Unidos, como membro da Otan, estão convidados a estar aqui", disse Andersen, a bordo de um navio da Marinha dinamarquesa no porto de Nuuk, capital do território autônomo da Dinamarca.

A presença militar europeia na ilha é modesta, mas bem-recebida nas ruas gélidas de sua capital, Nuuk. "Temos que permanecer unidos à Europa, senão os americanos vão nos esmagar", comentou o sindicalista "Kenni", 39. "Sozinhos não somos muito grandes, mas, juntos, seremos."

- Manifestações na Dinamarca -

Em Copenhague, uma delegação bipartidária de 11 congressistas americanos se reuniu com a primeira-ministra Mette Frederiksen e seu colega da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen. Também participaram do encontro os ministros da Defesa e das Relações Exteriores, e representantes de empresários.

A senadora republicana Lisa Murkowski disse que o diálogo foi "bom" e destacou a importância de promover as relações entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia.

"Quando você pergunta ao povo americano se ele acha uma boa ideia que os Estados Unidos adquiram a Groenlândia, a grande maioria, cerca de 75%, dirá que não", destacou Lisa. "A Groenlândia deve ser vista como nossa aliada, e não como um ativo."

Após a reunião na Casa Branca, a chefe do Executivo da Dinamarca constatou ontem uma "divergência fundamental" persistente com o governo Trump.

"Mostramos solidariedade bipartidária ao povo deste país e à Groenlândia. Têm sido nossos amigos e aliados há décadas", ressaltou o senador democrata Dick Durbin. "Queremos que saibam que somos muito gratos, e que as declarações do presidente não refletem como o povo americano se sente."

"Já veremos. A Otan tem se comunicado conosco sobre a Groenlândia", disse o presidente americano mais tarde, ao ser questionado se os Estados Unidos se retirariam da aliança se ela não colaborasse com seu plano para a ilha.

"Precisamos da Groenlândia para a segurança nacional. Se não a tivermos, teremos uma lacuna na segurança nacional", afirmou Trump, citando um projeto de sistema de defesa antimísseis.

Manifestações contra o plano de Trump foram convocadas para amanhã na Dinamarca e na Groenlândia.

(M.Travkina--DTZ)

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