Deutsche Tageszeitung - Trump lança seu Conselho de Paz no Fórum de Davos

Trump lança seu Conselho de Paz no Fórum de Davos


Trump lança seu Conselho de Paz no Fórum de Davos
Trump lança seu Conselho de Paz no Fórum de Davos / foto: © AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira (22), no Fórum de Davos, a carta de fundação do seu Conselho de Paz, um novo e controverso órgão internacional que, segundo ele, trabalhará em coordenação com as Nações Unidas.

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Após um discurso em que analisou as situações em Gaza, Irã, Ucrânia e Venezuela, entre outros pontos críticos globais, o mandatário republicano assinou o documento que cria o órgão, juntamente com líderes ou chanceleres de 19 países, incluindo os presidentes de Argentina, Javier Milei, e Paraguai, Santiago Peña.

Também estiveram presentes na cerimônia e assinaram a carta de fundação os chefes de Estado da Indonésia e do Cazaquistão, e os ministros das Relações Exteriores de Marrocos, Arábia Saudita, Catar, Turquia e Jordânia, assim como o primeiro-ministro da Hungria.

"Essas pessoas aqui são líderes que defendem a ação", porque Trump é "um presidente de ação", acrescentou o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Uma participação permanente no Conselho de Paz custará US$ 1 bilhão (R$ 5,37 bilhões). E Trump convidou muitos outros líderes a participar, incluindo Vladimir Putin, da Rússia, Benjamin Netanyahu, de Israel, Volodimir Zelensky, da Ucrânia, e o papa Leão XIV.

O Conselho, que segundo o magnata trabalhará "em colaboração" com as Nações Unidas, busca reforçar sua imagem de pacificador, um dia depois de retirar suas ameaças contra a Groenlândia, um território autônomo dinamarquês que considera crucial para a segurança dos Estados Unidos.

Em seu segundo dia na cúpula das elites mundiais na Suíça, o republicano também tem uma reunião prevista com Zelensky, a quem instou a alcançar um acordo de paz com a Rússia.

Segundo o enviado especial americano, Steve Witkoff, as negociações para pôr fim à guerra registraram "muitos avanços" e resta apenas "um ponto" a ser resolvido, embora não tenha fornecido detalhes.

Witkoff viaja nesta quinta-feira à Rússia junto com o genro de Trump, Jared Kushner, para reunir-se com Putin.

- "Ótima relação" com Delcy Rodríguez -

A criação do Conselho responde à frustração do presidente americano de não ter vencido o Prêmio Nobel da Paz, apesar de afirmar que encerrou oito conflitos.

A premiação foi atribuída à líder da oposição venezuelana María Corina Machado, que recentemente entregou sua medalha a Trump.

Em seu discurso, o mandatário americano reiterou que mantém uma "ótima relação" com o governo da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e declarou que o ataque de 3 de janeiro, no qual as forças americanas capturaram Nicolás Maduro em Caracas sob acusações de tráfico de drogas, foi "assombroso".

Embora inicialmente o organismo tenha sido criado para supervisionar a reconstrução de Gaza após a guerra entre Hamas e Israel, seus estatutos não limitam sua função ao território palestino e geraram temores de que Trump queira que rivalize com a ONU.

- Mudança de postura sobre Groenlândia -

O primeiro dia de Trump em Davos, na quarta-feira, foi marcado por sua mudança de postura em relação à Groenlândia, quando anunciou que não estabelecerá tarifas à Europa e descartou uma ação militar para tomar da Dinamarca esta ilha ártica rica em minerais.

O mandatário explicou a mudança de posição após alcançar uma "estrutura de um futuro acordo" depois de se reunir com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte.

E anunciou que desiste das tarifas previstas para 1º de fevereiro contra vários países europeus, entre eles França, Reino Unido e Alemanha, que se opunham às suas pretensões.

Rutte comentou nesta quinta-feira que as conversas com os EUA, que permanecerão em andamento, buscam "garantir que os chineses e os russos não tenham acesso à economia da Groenlândia", ou de um ponto de vista militar.

Para esta tarefa, detalhou, estarão envolvidos sete membros da Otan: Dinamarca, Suécia, Finlândia, Noruega, Islândia, Canadá e Estados Unidos, que deverão "assegurar coletivamente que o Ártico se mantém seguro e que os russos e os chineses ficam fora da zona".

Uma fonte próxima às conversações em Davos indicou à AFP que EUA e Dinamarca têm ainda previsto renegociar o seu acordo de defesa de 1951 sobre a Groenlândia.

Washington dispõe de uma base militar na ilha, a de Pituffik, depois de ter explorado uma dezena durante a Guerra Fria. Em virtude deste acordo de Defesa, atualizado em 2004, possui uma grande margem de manobra na Groenlândia, mediante aviso prévio às autoridades.

Trump insiste que este território é "vital" para a segurança de seu país e da Otan frente à China e à Rússia, à medida que o Ártico derrete e as superpotências competem por uma vantagem estratégica na região.

(A.Stefanowych--DTZ)