Deutsche Tageszeitung - Apagão deixa Kiev temporariamente sem metrô

Apagão deixa Kiev temporariamente sem metrô


Apagão deixa Kiev temporariamente sem metrô
Apagão deixa Kiev temporariamente sem metrô / foto: © AFP

O sistema energético ucraniano, devastado pelos bombardeios russos, sofreu neste sábado (31) um apagão, provavelmente provocado pelas temperaturas negativas, que deixou temporariamente Kiev sem metrô e privou de eletricidade regiões da Moldávia, país vizinho.

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Nas últimas semanas, centenas de milhares de pessoas ficaram regularmente sem aquecimento nem eletricidade, durante um inverno rigoroso, com temperaturas em torno de –15°C.

Isto é o que se sabe até agora sobre o apagão de grandes proporções.

– Cortes na Ucrânia e na Moldávia –

O ministro da Energia da Ucrânia, Denys Shmigal, afirmou neste sábado que o fornecimento de eletricidade havia sido restabelecido em "todas as regiões" após uma "falha sistêmica".

Segundo as autoridades, foram impostos cortes de emergência para evitar danos aos equipamentos, especialmente em Kiev, na região da capital, em Zhytomyr (centro), Kharkiv (nordeste), Cherkasy (centro) e Chernivtsi (oeste).

Shmigal precisou que os reatores das usinas nucleares do país foram "descarregados", reduzindo assim a produção.

As instalações da antiga usina nuclear de Chernobyl, que necessita de eletricidade, especialmente para o funcionamento dos sistemas de controle, sofreram uma breve interrupção no fornecimento de energia, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

"Não são esperadas consequências diretas para a segurança nuclear, mas a situação geral continua precária", acrescentou a agência.

O corte afetou o abastecimento de água em "todos os distritos da cidade de Kiev", segundo a empresa municipal de serviços públicos Kyivvodokanal.

Também houve regiões da Moldávia, país localizado a oeste da fronteira ucraniana, que ficaram sem eletricidade durante várias horas.

Essa "falha parcial" foi resolvida no meio da tarde, anunciaram as autoridades moldavas.

- Uma "falha técnica" -

Segundo Kiev, estes cortes em massa se devem a uma "falha técnica" nas linhas elétricas que conectam Moldávia, Romênia e Ucrânia.

O ministro da Energia da Moldávia, Dorin Junghietu, confirmou a informação.

A Moldávia produz a sua própria energia, mas também a importa, principalmente da Romênia e Ucrânia.

À noite, o ministro Shmigal indicou que, segundo "informação preliminar", a falha poderia ter sido causada "pela formação de gelo nas linhas e equipamentos".

Ele afirmou que não foi confirmada a possibilidade de um ataque cibernético ou de uma "interferência externa" como explicação para o problema.

Kiev ainda não especificou as possíveis causas da falha, mas, por enquanto, não a vinculou diretamente aos constantes bombardeios russos na guerra iniciada há quase quatro anos, após a Rússia invadir seu território.

O Kremlin anunciou na sexta-feira (30) que o presidente russo, Vladimir Putin, aceitou suspender os ataques a Kiev por uma semana, até domingo, a pedido de seu homólogo americano, Donald Trump.

Maxime, um morador de Kiev, de 23 anos, não acredita que a trégua vá durar. "Duvido, realmente duvido", disse à AFP.

- Fechamento do metrô -

Devido à escassez de eletricidade, as autoridades anunciaram o fechamento temporário e completo do metrô de Kiev, algo inédito desde a invasão russa, em 2022.

A rede de metrô, uma parte vital do transporte, e suas 52 estações servirão de refúgio até que a energia elétrica seja restabelecida, disse o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, em uma mensagem no Telegram.

No início da tarde, a Câmara Municipal informou que o tráfego havia sido retomado normalmente nas três linhas.

Os serviços de emergência da capital afirmaram ter retirado, junto com a polícia, 481 passageiros que ficaram presos em trens que pararam durante o corte.

Em Kharkiv, a operadora do metrô também anunciou, no início da manhã, uma interrupção temporária da rede por "motivos técnicos", antes de anunciar a retomada parcial do serviço nas linhas.

Irina Viktorivna acredita que os cortes de energia não vão dobrar o povo. "Eles (os russos) tentam nos intimidar, mas não cederemos, não temos medo. É difícil para nós, mas permaneceremos fortes. Glória à Ucrânia", declarou à AFP no metrô de Kiev.

(P.Hansen--DTZ)

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