Deutsche Tageszeitung - Irã compara protestos a 'golpe' e faz alerta contra guerra regional

Irã compara protestos a 'golpe' e faz alerta contra guerra regional


Irã compara protestos a 'golpe' e faz alerta contra guerra regional
Irã compara protestos a 'golpe' e faz alerta contra guerra regional / foto: © ICANA NEWS AGENCY/AFP

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, chamou as recentes manifestações antigovernamentais de "golpe de Estado" e afirmou que uma intervenção militar dos Estados Unidos provocaria uma "guerra regional", em um discurso neste domingo (1).

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As forças militares dos Estados Unidos bombardearam o Irã em junho do ano passado, durante uma guerra de 12 dias iniciada por Israel.

E desde a onda de protestos, que provocou milhares de mortes, o presidente americano Donald Trump ameaça ordenar um novo ataque contra a República Islâmica, embora nas últimas horas as nações inimigas tenham optado por um discurso que parece favorecer a via diplomática.

Apesar da retórica menos bélica da diplomacia, o aiatolá Ali Khamenei disse, em seu primeiro discurso público desde meados de janeiro, que "os americanos devem saber que, se iniciarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional".

"Os iranianos não devem ter medo da retórica de Trump", acrescentou, segundo a agência de notícias Tasnim.

As manifestações no Irã começaram como uma expressão de descontentamento com o elevado custo de vida, mas se tornaram um grande movimento contra o governo que os líderes do país descreveram como "distúrbios" fomentados pelos Estados Unidos e por Israel.

"Atacaram a polícia, os centros governamentais, os centros da Guarda Revolucionária, os bancos e as mesquitas, e queimaram o Alcorão (...) Foi como um golpe de Estado e foi reprimido", disse Khamenei.

Teerã reconhece mais de 3.000 mortes durante os protestos, mas insiste que a maioria eram membros das forças de segurança e transeuntes inocentes.

Grupos de defesa dos direitos humanos e potências internacionais acusam, no entanto, o Irã e o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) de reprimir os protestos com extrema violência, o que provocou milhares de mortes.

A União Europeia (UE) também pressionou o país com a inclusão da Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica acusado de coordenar a repressão, em sua lista de "organizações terroristas".

- "Vergonha para a Europa" -

Como medida de retaliação, o Parlamento iraniano declarou neste domingo os exércitos europeus como "grupos terroristas".

Imagens exibidas pela televisão pública mostraram o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e os deputados vestidos com o uniforme da Guarda Revolucionária em sinal de solidariedade e desafio.

"Morte aos Estados Unidos", "Morte a Israel", "Vergonha para a Europa", gritaram os deputados no plenário, no dia do 47º aniversário do retorno do exílio para o Irã do aiatolá Ruhollah Khomeini, pai fundador da República Islâmica.

Os "Pasdaran" ("guardiões" em persa), criados em 1979 pelo líder supremo pouco depois da Revolução, são considerados o exército ideológico da nação. A força extremamente organizada controla vários setores da economia iraniana.

No momento, não é possível saber quais serão as consequências do anúncio do Parlamento iraniano, mas tudo indica que é algo meramente simbólico.

- Tensão e diplomacia -

O ambiente nas ruas de Teerã é tenso. Firuzeh, 43 anos, disse à AFP que está "muito preocupada e assustada".

"Assisto o noticiário constantemente (...) e às vezes acordo no meio da noite para acompanhar", acrescentou a dona de casa que prefere não revelar o sobrenome.

O governo dos Estados Unidos enviou uma dezena de navios, incluindo o porta-aviões "Abraham Lincoln", ao Golfo. As Forças Armadas iranianas anunciaram "estado de alerta máximo".

Mas o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse no sábado que uma guerra não beneficia seu país, nem os Estados Unidos, e que prioriza a diplomacia.

Um funcionário de alto escalão do governo relatou "progressos" para "negociações" com Washington.

Trump afirmou que Teerã negocia com Washington, mas não revelou detalhes nem retirou suas ameaças. "Veremos o que acontece", disse.

Os Estados Unidos e as potências ocidentais suspeitam que o Irã deseja produzir armamento atômico e pressionam Teerã a negociar um acordo sobre seu programa nuclear. Teerã afirma que tem apenas objetivos civis.

O jornal ultraconservador Kayhan apresenta neste domingo a manchete: "Ásia Ocidental, pátria do Irã e cemitério dos Estados Unidos". A agência de notícias Mehr afirmou que milhares de túmulos em Teerã estão preparados para receber os corpos de soldados americanos em caso de ataque.

(W.Novokshonov--DTZ)

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