Deutsche Tageszeitung - Presidente do Irã pede início de negociações com EUA sobre seu programa nuclear

Presidente do Irã pede início de negociações com EUA sobre seu programa nuclear


Presidente do Irã pede início de negociações com EUA sobre seu programa nuclear
Presidente do Irã pede início de negociações com EUA sobre seu programa nuclear / foto: © AFP

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, pediu a abertura de negociações com os Estados Unidos sobre o programa nuclear da República Islâmica, informou nesta segunda-feira (2) um meio de comunicação local, após o presidente Donald Trump ter se mostrado otimista quanto a um acordo para evitar uma intervenção militar.

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“O presidente Masoud Pezeshkian ordenou a abertura de negociações com os Estados Unidos”, publicou a agência de notícias Fars, citando uma fonte governamental.

A pressão sobre Teerã intensificou-se desde o início de janeiro, após uma feroz repressão a uma onda de protestos que sacudiu o país, inicialmente contra o custo de vida, mas que se ampliou contra o regime teocrático que governa o Irã desde a revolução de 1979.

Após ter levantado a ameaça de uma intervenção militar e enviado navios ao Golfo, o presidente americano, Donald Trump, afirmou no domingo que esperava “chegar a um acordo” com o Irã.

“Os países da região atuam como mediadores para a troca de mensagens”, explicou nesta segunda-feira o porta-voz da Chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei. Egito, Arábia Saudita e Turquia participaram das consultas.

“Estamos examinando e finalizando os detalhes de cada etapa do processo diplomático, que esperamos concluir nos próximos dias. Isso inclui o método e marco de trabalho”, acrescentou Baqaei.

O porta-voz, no entanto, negou ter recebido um ultimato por parte de Trump: o Irã “nunca aceita ultimatos”, sustentou.

- Uma "guerra regional" -

Na véspera, o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, havia alertado para uma “guerra regional” em caso de uma ação militar dos Estados Unidos.

Segundo a agência Tasnim, que citou uma fonte bem informada, ainda não foram definidos o local nem a data, mas as conversas provavelmente ocorrerão em alto nível.

Do lado iraniano participaria o chanceler Abbas Araghchi, e do lado americano, o enviado especial de Trump, Steve Witkoff.

As duas partes mantiveram uma breve rodada de conversas em 2025, antes da guerra de 12 dias deflagrada em junho por Israel. Os diálogos emperraram na questão do enriquecimento de urânio.

Os Estados Unidos exigem que o Irã renuncie completamente ao enriquecimento, algo a que Teerã se recusa, alegando seu direito em virtude do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), do qual é signatário.

“O presidente Trump diz ‘não às armas nucleares’ e estamos totalmente de acordo com esse ponto. (...) Claro, em troca, esperamos um levantamento das sanções”, disse Araghchi no domingo. “Portanto, esse acordo é possível. Não estamos falando de coisas impossíveis”, insistiu.

Países ocidentais suspeitam que a República Islâmica pretende se armar com uma bomba atômica, algo que Teerã nega.

- Prisão de estrangeiros -

Enquanto isso, no Irã, a repressão continua. A televisão estatal informou nesta segunda-feira que quatro estrangeiros, cujas nacionalidades não foram especificadas, foram detidos por “participação nos distúrbios”.

Segundo a ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, mais de 42.000 pessoas foram detidas durante os protestos.

Além disso, a entidade diz que confirmou 6.842 mortos, em sua maioria manifestantes, embora tenha advertido que o número pode ser muito maior.

As autoridades iranianas reconhecem a morte de milhares de pessoas, mas afirmam que a maioria eram agentes de segurança ou transeuntes assassinados por “terroristas”.

Segundo o governo, a onda de protestos foi orquestrada por Estados Unidos e Israel.

Embaixadores de países europeus em Teerã foram convocados após a União Europeia (UE) decidir designar a Guarda Revolucionária como “organização terrorista”.

No entanto, Baqaei advertiu nesta segunda-feira que a convocação dos embaixadores constitui “uma medida mínima” antes que outras represálias sejam anunciadas em breve.

(M.Dorokhin--DTZ)

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