EUA iniciará bloqueio de portos iranianos, segundo Trump e Exército
O Exército dos Estados Unidos anunciou neste domingo (12) que iniciará um bloqueio de todos os portos iranianos a partir de segunda-feira, horas depois de um aviso semelhante de Donald Trump após o fracasso das negociações de paz no Paquistão, que Washington atribuiu à recusa do Irã em renunciar às suas ambições nucleares.
O anúncio ocorreu apesar do cessar-fogo de duas semanas para negociar o fim da guerra. Agora, as tensões se concentram em saber se os Estados Unidos podem ou não forçar o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz.
Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, ao que a república islâmica respondeu com bombardeios contra interesses americanos em países do Golfo e contra alvos em Israel, arrastando todo o Oriente Médio para um conflito que abalou a economia global.
"O bloqueio será aplicado de maneira imparcial a navios de todas as nações que entrem ou saiam de portos e zonas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos", indicou o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) em uma publicação na rede X.
"As forças do Centcom não irão impedir a liberdade de navegação de embarcações que transitem pelo Estreito de Ormuz com destino a portos não iranianos ou provenientes deles", acrescentou.
Mais cedo, Trump havia ordenado o bloqueio naval do Estreito de Ormuz após denunciar que o Irã manteve uma postura "inflexível" sobre suas ambições nucleares nas negociações no Paquistão.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, rejeitou na segunda-feira a responsabilidade pelo fracasso do diálogo.
"O Irã se comprometeu com os Estados Unidos de boa-fé para pôr fim à guerra", disse, mas quando o acordo estava "muito perto" em Islamabad, "nos deparamos com maximalismo, mudanças constantes de condições e um bloqueio" por parte da contraparte, acrescentou.
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, respondeu que suas forças mantêm "controle total" do estreito.
O chefe da Marinha do Irã, Shahram Irani, classificou neste domingo como "ridícula" a ameaça do presidente americano.
O Exército iraniano supervisiona e monitora "todos os movimentos do agressivo Exército americano na região. As ameaças do presidente dos Estados Unidos de bloquear o Irã por mar (...) são muito ridículas e risíveis", disse à televisão estatal.
O Irã permitiu a passagem de navios de países considerados aliados, como a China. Relatos não confirmados indicam que a república islâmica poderia cobrar pedágios pela passagem nessa importante rota.
A agência de notícias Fars informou no domingo que dois petroleiros com bandeiras do Paquistão que se dirigiam ao estreito deram meia-volta.
Mohammad-Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e líder da delegação de seu país no Paquistão, disse ao retornar a Teerã que o país "não se curvaria a nenhuma ameaça de Washington".
- "Acabar com o Irã" -
O Irã informou neste domingo que o Instituto de Medicina Legal contabilizou 3.375 mortos durante a guerra.
Por sua vez, a ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, registrou até 6 de abril pelo menos 3.597 mortos, incluindo 1.665 civis, entre eles ao menos 248 crianças.
Trump retomou sua estratégia de ameaças neste domingo e afirmou em entrevista à Fox News que "poderia acabar com o Irã em um único dia".
O mandatário advertiu que pode "acabar com todo o seu sistema energético" e alertou a China de que, se prestar ajuda militar ao Irã, imporá tarifas de 50%.
O mais recente ultimato de Trump teria ocorrido após o fracasso das negociações no Paquistão.
Irã e Estados Unidos chegaram às conversas com posições iniciais muito distantes. Esse diálogo foi o encontro de mais alto nível entre os dois países desde a Revolução Islâmica de 1979.
O Irã insiste em seu direito de manter um programa nuclear com fins civis, mas os países ocidentais o acusam de buscar o desenvolvimento de armas nucleares.
"Sempre disse, desde o início, e há muitos anos, que O IRÃ NUNCA TERÁ UMA ARMA NUCLEAR", afirmou Trump ao anunciar o bloqueio naval do Estreito de Ormuz.
- "A guerra continua" -
O fracasso das conversas gerou preocupação com uma retomada das hostilidades que poderia elevar ainda mais os preços da energia e afetar o comércio de petróleo e gás.
O Paquistão instou ambos os países a manterem o cessar-fogo temporário.
Mas também há dúvidas crescentes sobre o fracasso da trégua devido aos contínuos ataques israelenses contra o Líbano, onde o Irã insiste que o cessar-fogo também se aplica.
Autoridades libanesas e israelenses se reunirão em Washington na terça-feira.
Neste domingo, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, visitou tropas de Israel no sul do Líbano, segundo um vídeo divulgado no mesmo dia. Ele afirmou que a ameaça de uma invasão do Hezbollah ao norte de Israel havia sido eliminada, mas que "a guerra continua, inclusive na zona de segurança do Líbano".
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(U.Beriyev--DTZ)