Fortes distúrbios em Genebra contra cúpula do G7 na França
Confrontos entre manifestantes e forças de segurança eclodiram neste domingo (14) na cidade suíça de Genebra durante um protesto contra a realização, esta semana, da cúpula do G7 na localidade fronteiriça de Evian, na vizinha França.
O fórum, que inicia nesta segunda-feira sua reunião anual de três dias, reúne os líderes da Alemanha, do Reino Unido, do Canadá, da França, da Itália, do Japão e dos Estados Unidos, junto com líderes convidados de outros países.
O presidente francês, Emmanuel Macron — anfitrião do evento — chegou à tarde à cidade alpina, situada cerca de 40 km a noroeste de Genebra, após se reunir anteriormente na cidade de Nice, no sul da França, com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, convidado da cúpula.
A maioria dos líderes, incluindo Donald Trump, chegará ao aeroporto de Genebra antes de se deslocar para Evian.
Também está prevista a participação do presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, o que colocará em primeiro plano a guerra iniciada por Moscou há mais de quatro anos.
Na véspera do fórum, cerca de 20 mil pessoas — segundo a polícia — marcharam sob um forte esquema de segurança pelas ruas da capital suíça, convocadas pela coalizão No-G7, entoando palavras de ordem anticapitalistas, pró-palestinas, feministas e em defesa da ação climática.
Embora a manifestação tenha começado de forma pacífica, ela começou a sair do controle no final da tarde, segundo constataram jornalistas da AFP.
Pequenos grupos de manifestantes — muitos vestidos de preto e com o rosto coberto — lançaram garrafas, pedras, pedaços de concreto e rojões contra as forças de segurança, que responderam com gás lacrimogêneo. Vários edifícios também foram atacados, entre eles os escritórios da PricewaterhouseCoopers e a sede da União Internacional de Telecomunicações.
Segundo a polícia, as vitrines do Banco do Léman e do Raiffeisen também sofreram danos.
As forças de segurança estimaram que cerca de 600 manifestantes eram integrantes do chamado "Black Bloc", uma tática que consiste em se agrupar em manifestações ou ações de desobediência civil em um bloco unido, visível e móvel.
Ao final do dia, continuavam ocorrendo confrontos à distância com alguns grupos, em meio a densas nuvens de fumaça provocadas pelos disparos de gás lacrimogêneo.
— Uma resposta "internacionalista" —
"Estou aqui porque não gosto que esse grupo de chefes de Estado se reúna aqui para tomar decisões que afetam todos nós", declarou à AFP Michel, um aposentado suíço de 69 anos que carregava uma bandeira palestina.
A coalizão "No-G7", formada por cerca de 200 associações, organizações e sindicatos, pediu uma "resposta internacionalista" às políticas promovidas pelos líderes do G7.
A cúpula será o primeiro reencontro transatlântico desde que Estados Unidos e Israel lançaram uma guerra contra o Irã em fevereiro, o que representou um novo golpe em relações já abaladas pela guerra comercial de Washington e por suas ambições sobre a Groenlândia.
A Suíça mobilizou até 4 mil soldados para apoiar as forças policiais, enquanto a França anunciou o envio de quase 16 mil policiais, gendarmes, militares, bombeiros e agentes de fronteira para os arredores de Evian.
(O.Zhukova--DTZ)