Extrema direita afirma que é o 'partido do povo' na Alemanha e prevê queda de Merz
Os líderes da extrema direita alemã previram nesta segunda-feira (21) a queda até o fim do ano do chanceler conservador Friedrich Merz, após as derrotas nas eleições regionais recentes, e afirmaram que seu partido, a AfD, já "substituiu" a democracia-cristã como o "partido do povo".
A Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu no domingo as eleições regionais no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, onde a União Democrata-Cristã (CDU) obteve apenas 4,9% dos votos, abaixo do mínimo necessário para permanecer no Parlamento estadual.
Este é o pior resultado da CDU desde a fundação do partido, em 1945.
Apesar da vitória da AfD, o Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda, poderá continuar governando o estado se conseguir formar uma coalizão com seus aliados.
"O chanceler certamente não chegará ao fim do ano", declarou Leif-Erik Holm, principal candidato da AfD no estado, na costa do Mar Báltico. "Acredito que o ocaso do chanceler começou", acrescentou.
"Nós substituímos a CDU como partido do povo", afirmou por sua vez a copresidente do partido, Alice Weidel.
Em apenas 16 meses no cargo, a popularidade de Merz desabou e seu partido sofreu diversas derrotas em eleições regionais para a AfD, que também lidera as pesquisas nacionais de intenção de voto.
Diante das especulações de que seu próprio partido poderia tentar destituí-lo, o chefe de Governo, de 70 anos, fez um inusitado discurso à nação no domingo, poucos minutos após a divulgação das pesquisas de boca de urna.
Merz reconheceu que a CDU sofreu um "desastre" em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, que se soma à derrota do partido em Berlim.
Na capital, o partido de extrema esquerda Die Linke (25%) derrotou a CDU (20%) e está em condições de tirar a prefeitura dos democrata-cristãos. A AfD também avançou na cidade, com quase 15% dos votos.
As duas derrotas se somam ao resultado de 6 de setembro, quando a AfD triunfou em outra região do leste do país, Saxônia-Anhalt, o que desencadeou uma onda de especulações sobre a saída antecipada do chefe de Governo.
A extrema direita obteve uma vitória esmagadora no estado da ex-Alemanha Oriental comunista, ficando a apenas três cadeiras da maioria absoluta, embora ainda não consiga apoio suficiente para formar seu primeiro governo regional.
- "Firmeza e paciência" -
"A confiança nas instituições do nosso país está diminuindo e está sendo ativamente minada por partidos radicais, tanto de esquerda como da direita", disse Merz na televisão.
"O que precisa ser feito agora exige determinação, firmeza e paciência", declarou. "Vou demonstrar isso como presidente da CDU e, sobretudo, como chanceler do nosso país".
O conservador governa em aliança com os social-democratas, que por enquanto mantêm o apoio.
"Continuamos comprometidos com esta coalizão, mas não podemos seguir como nos últimos meses. Precisamos de mudanças", disse Lars Klingbeil, dirigente do SPD e ministro das Finanças.
"Ir de cabeça contra a parede, explicando que basta ser ainda mais rígidos no que temos feito até agora e que as pessoas acabarão entendendo, não vai funcionar", insistiu.
Merz tenta desmentir há várias semanas os rumores de que poderia ser destituído pelo próprio partido. Ele cancelou a viagem prevista para esta semana em Nova York, onde participaria da Assembleia Geral da ONU.
Entre seus possíveis sucessores estão Hendrik Wüst, chefe de Governo da região da Renânia do Norte-Vestfália, e Markus Söder, chefe de Governo da região da Baviera e líder da CSU, o partido irmão regional da CDU. Porém, nenhum aspirante se manifestou abertamente até o momento.
Quando Merz assumiu o cargo em maio do ano passado, ele prometeu recuperar uma economia enfraquecida, reconstruir as Forças Armadas para dissuadir a Rússia e reduzir a imigração irregular para aliviar os temores dos eleitores e atraí-los para a CDU, contra a AfD.
Mas a AfD lidera agora as pesquisas nacionais e a aprovação de Merz está um pouco acima de 10%.
(G.Khurtin--DTZ)