Deutsche Tageszeitung - Irã nega envolvimento em ataques houthis e desmente Arábia Saudita

Irã nega envolvimento em ataques houthis e desmente Arábia Saudita


Irã nega envolvimento em ataques houthis e desmente Arábia Saudita
Irã nega envolvimento em ataques houthis e desmente Arábia Saudita / foto: © AFP

O Irã negou nesta sexta-feira (16) qualquer envolvimento nos ataques dos houthis do Iêmen contra a Arábia Saudita, um dia depois de Riade acusar Teerã de incentivar a escalada recente do conflito.

Alterar tamanho do texto:

A dimensão dos ataques houthis, direcionados a instalações petrolíferas e aeroportos sauditas, não tem precedentes desde o início, em 2014, da guerra civil entre o grupo e o governo iemenita apoiado por Riade.

O aeroporto internacional da capital saudita foi atacado 20 vezes desde o início de outubro. Um bombardeio no sábado passado contra o aeroporto de Riade deixou 13 mortos e mais de 300 feridos.

"A escalada promovida pelos houthis (...) é incentivada pelo Irã", declarou ontem o vice-ministro saudita encarregado da diplomacia pública, Rayed Krimly, que acusou Teerã de continuar "armando, treinando e apoiando" o movimento.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baqai, respondeu nesta sexta-feira, em comunicado, que os houthis "agem de acordo com seus próprios interesses. Essas acusações não têm credibilidade para aqueles que conhecem bem as relações entre o Irã e seus aliados".

"O Irã considera que uma escalada das tensões não beneficia nenhuma das partes", acrescentou, ao recordar a proposta de Teerã de mediar o conflito entre os dois lados.

Apoiados pelo Irã, os houthis fazem parte do chamado "Eixo da Resistência", uma aliança de grupos contrários a Israel que também inclui o movimento libanês Hezbollah, o palestino Hamas e diversas facções armadas xiitas do Iraque.

- Mísseis e drones interceptados -

No terreno, os houthis reivindicaram na noite desta sexta-feira o lançamento de dois mísseis que caíram perto do aeroporto de Áden, cidade onde se refugiou o governo iemenita reconhecido pela comunidade internacional. Os insurgentes, aliados do Irã, afirmaram que tinham como alvo um centro de comando saudita.

Os houthis afirmaram, em comunicado atribuído a uma fonte militar, que o ataque teve como alvo "o quartel-general de comando das forças sauditas", além de um depósito de armas. Segundo autoridades locais, os projéteis atingiram o complexo aeroportuário, mas não deixaram vítimas.

O Ministério da Informação do Iêmen informou que um voo da Yemenia Airways entre Áden e Cairo quase foi atingido. A aeronave "se preparava para decolar exatamente no momento em que a milícia terrorista houthi atacou o aeroporto com dois mísseis que caíram a cerca de 500 metros do avião e a aproximadamente 100 metros do centro da pista", afirmou o ministério.

"O que aconteceu não foi apenas um ataque contra um aeroporto civil, mas uma ameaça direta à vida de passageiros e tripulantes, à segurança aérea e uma grave violação das leis e normas internacionais", acrescentou.

A coalizão liderada pela Arábia Saudita, por sua vez, anunciou que interceptou mísseis e drones sobre Riade e outras regiões do país. "Interceptamos e destruímos três drones no sul e em Riade (...) assim como dois mísseis de cruzeiro sobre o Mar Vermelho", escreveu no X o porta-voz da coalizão, Turki al-Malki. Ele também informou que um "míssil balístico" foi interceptado sobre Yanbu, principal terminal petrolífero saudita na costa do Mar Vermelho.

Os houthis já haviam realizado ontem um ataque mortal em Áden contra a sede do governo, onde atingiram um centro de comando da coalizão liderada por Riade. O balanço foi de cinco mortos e 16 feridos.

Em declaração conjunta, os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU "condenaram nos termos mais enérgicos a continuidade e a intensificação dos ataques dos houthis contra o Reino da Arábia Saudita" e contra "a navegação comercial no Mar Vermelho e no estreito de Bab al Mandeb".

Além disso, reafirmaram, como já haviam feito em setembro, "o direito inerente do Reino da Arábia Saudita à legítima defesa, em conformidade com o direito internacional".

Após anos de relativa trégua, a retomada em grande escala do conflito iemenita, em julho de 2026, abriu uma nova frente no Oriente Médio.

A pressão sobre a Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo, coincide com a preocupação nos mercados internacionais de energia após o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã no início da guerra regional no Oriente Médio, em fevereiro.

Ao mesmo tempo, o Iêmen, país mais pobre da Península Arábica, enfrenta o risco de uma "catástrofe humanitária", alertou El-Khidir Daloum, diretor do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU no país.

(V.Sørensen--DTZ)