Manifestantes ocupam praça de Lisboa em protesto contra aumento do custo de vida
Manifestantes montaram dezenas de barracas neste sábado em Lisboa, em um protesto contra o aumento do custo de vida em Portugal, após manifestações semelhantes na Espanha.
Centenas de manifestantes, em sua maioria jovens, concentraram-se na praça Rossio, no coração turístico da capital portuguesa, após uma passeata que mobilizou milhares de pessoas em todo o país. Eles manifestaram a intenção de passar a noite no local.
"A classe social portuguesa que paga impostos, a que move o país, está sob ataque e perdendo seus direitos, principalmente o direito à moradia", reclamou a assistente social Elena Costa, 46.
Já o engenheiro Antonio Margado, 52, criticou o governo de centro-direita por "uma liberalização total dos aluguéis". "Os proprietários estão cada vez mais protegidos, enquanto os inquilinos contam com cada vez menos proteção".
Os preços da habitação subiram 124% entre 2015 e 2024, o dobro do aumento europeu, segundo dados oficiais. O impacto é particularmente severo entre os jovens e a população de Lisboa, que concentra um quarto dos mais de 11 milhões de habitantes do país.
O acampamento montado hoje na capital portuguesa ampliou um protesto por moradia iniciado na cidade do Porto, onde dezenas de barracas foram montadas.
Durante o dia, manifestantes marcharam em Lisboa ao som de tambores e exibindo cartazes que diziam "Sua ganância é a nossa miséria" e "O custo de vida aumenta, o povo não aguenta mais".
"Compreendemos que as pessoas queiram respostas" e "expressar sua indignação sobre aquilo que, no entender delas, possa ser omissões das políticas", disse nesta semana o premier do país, Luis Montenegro, que pediu aos opositores para não "importar para Portugal climas de instabilidade, de contestação, que não têm, de fato, respaldo na sociedade portuguesa", em uma aparente referência aos protestos violentos na França.
(M.Travkina--DTZ)