Deutsche Tageszeitung - Governo Trump enfrenta pressões diante do auge da IA chinesa

Governo Trump enfrenta pressões diante do auge da IA chinesa


Governo Trump enfrenta pressões diante do auge da IA chinesa
Governo Trump enfrenta pressões diante do auge da IA chinesa / foto: © AFP

O governo do presidente americano, Donald Trump, enfrenta uma pressão crescente para responder ao lançamento de um novo modelo de inteligência artificial chinês, alvo tanto de acusações de ter sido copiado de versões americanas quanto de elogios por parte de defensores de uma IA mais barata e mais aberta.

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O tema ganhou destaque esta semana, quando um funcionário da Casa Branca afirmou que a startup chinesa Moonshot AI tinha copiado o modelo Fable, da empresa americana Anthropic — considerado o mais potente do mercado — para desenvolver o Kimi K3.

O Kimi K3 causou sensação desde seu lançamento, em 16 de julho, ao superar IAs americanas em várias classificações, em particular em programação de sites e aplicativos, algo sem precedentes para um modelo chinês denominado aberto (modificável).

Michael Kratsios, diretor de Política de Ciência e Tecnologia da Casa Branca, afirmou, na última quarta‑feira, que a Moonshot AI copiou o Fable por meio de destilação, um método que consiste em submeter um modelo a uma enxurrada de solicitações para compreender seu funcionamento.

Ele também sugeriu que a Moonshot AI contornou as restrições dos Estados Unidos à exportação de chips de IA da empresa Nvidia para desenvolver o Kimi K3.

Kratsios repercutiu declarações do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, segundo o qual o governo encontrou traços de modelos americanos em várias IAs chinesas de ponta.

"Se chegarmos à conclusão de que modelos estrangeiros saqueiam nossas empresas", declarou,"teremos a possibilidade de sancioná‑los".

Segundo o site The Information, o Bureau of Industry and Security (BIS), do Departamento de Comércio, está investigando se empresas chinesas como a Moonshot AI usam chips da Nvidia.

Por outro lado, uma ala do governo Trump busca que várias empresas chinesas responsáveis por modelos de IA sejam incluídas em uma lista do BIS que restringe suas relações comerciais com companhias americanas, segundo o site Axios.

De acordo com o veículo, alguns membros do governo dos Estados Unidos se opõem, no entanto, a essa linha-dura, em particular o secretário de Comércio, Howard Lutnick.

Em uma mensagem no X, Lutnick relativizou o alcance do Kimi K3, citando um estudo do CAISI, um centro governamental dedicado à avaliação de modelos, que apresenta a IA chinesa como muito menos potente que suas concorrentes americanas em matéria de cibersegurança.

- Entre dois fronts -

Assim como em suas próprias divisões internas, o governo Trump se vê encurralado entre duas frentes de pressão.

Por um lado, algumas grandes companhias americanas, inquietas com a perspectiva de verem saqueados seus avanços em IA, mas também de verem seu modelo econômico — baseado no controle de uma tecnologia protegida — ser desmantelado.

A destilação ilícita "é um roubo de propriedade intelectual e espionagem industrial" e "um desafio nacional que cria graves riscos de segurança nacional para os Estados Unidos e seus aliados democráticos", afirmou no X Sarah Heck, encarregada de políticas públicas da Anthropic.

Mas, na outra ponta do espectro, são muitos mais os que pedem a manutenção do status quo para favorecer um ecossistema de IAs abertas, chinesas ou não, acessíveis gratuitamente e adaptáveis em função das necessidades.

Um grupo de 179 startups chamado Little Tech Association enviou, na quarta‑feira, uma carta ao governo Trump defendendo uma abordagem moderada.

Isso implicaria que as restrições ao uso de modelos estrangeiros fossem aplicadas apenas aos serviços do governo.

Pesos-pesados do setor, incluindo Microsoft, Mistral, Perplexity e Meta, também pediram moderação na sexta‑feira, mesmo em caso de destilação "ilegal".

Eles propõem tratar da questão por meio de "um marco jurídico e comercial, em vez de amplas restrições".

"Esses modelos chineses são excelentes", declarou ao Axios Jensen Huang, diretor da Nvidia, que, no entanto, busca popularizar seu próprio modelo aberto, o Nemotron.

"Modelos abertos que são excelentes devem poder ser usados", disse. Após vários dias de gestação, o debate parece se inclinar a favor dos modelos abertos, inclusive os chineses, como demonstra a reação de Sam Altman, diretor da OpenAI, ao apelo de sexta‑feira, que sua empresa não havia assinado.

"Quero que os Estados Unidos vençam tanto em modelos abertos quanto fechados", escreveu no X, "e fico feliz em ver isso".

(I.Beryonev--DTZ)

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