Deutsche Tageszeitung - Documento asteca histórico retorna ao México emprestado pela França

Documento asteca histórico retorna ao México emprestado pela França


Documento asteca histórico retorna ao México emprestado pela França
Documento asteca histórico retorna ao México emprestado pela França / foto: © AFP/Arquivos

Cenas de poder e morte na mítica capital asteca de Tenochtitlán, conquistadores espanhóis, traições e decadência. É isso que o histórico Códice de Azcatitlán, em exibição no México a partir desta quinta-feira (17) graças a um empréstimo da França, narra em pictogramas.

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O governo mexicano exige há anos a devolução deste documento inestimável, um dos mais importantes de sua história, criado no século XVI por artistas indígenas após a queda do império asteca para o domínio espanhol.

"É a memória viva da nossa história, a voz escrita de nossos ancestrais e a raiz profunda de nossa identidade", disse a presidente, Claudia Sheinbaum, quando, em novembro, solicitou ao seu homólogo francês, Emmanuel Macron, a devolução do Azcatitlán e de outro manuscrito valioso, o Códice Borbônico, que está guardado na Assembleia Nacional da França.

Paris alega que não pode devolvê-los por razões legais.

A partir desta quinta-feira, até 31 de dezembro, o Códice de Azcatitlán estará em exposição no Museu de Antropologia da capital, como parte das comemorações do bicentenário das relações entre México e França, uma das primeiras potências a estabelecer contatos com o novo país, cinco anos após sua independência, em 1821.

- Patrimônio -

Os códices — que podem ser pictográficos e/ou alfabéticos — narram a história, os rituais e as crenças dos povos do que hoje é o México, antes e depois da chegada dos espanhóis no século XVI.

Com seus tons policromáticos de vermelho, azul, verde e amarelo, de guerreiros com cocares de penas a atos rituais em templos piramidais, o Códice de Azcatitlán reconta a história do México-Tenochtitlán: a migração da mítica Aztlán, a fundação da esplêndida cidade e a queda do império para os conquistadores e seus aliados indígenas em 1521.

Foi criado em 25 fólios de papel europeu e utiliza páginas opostas para formar cenas panorâmicas, de acordo com um artigo da Academia Mexicana de Ciências.

A Assembleia Nacional e a Biblioteca Nacional da França defendem a legalidade da posse dos códices que detêm. O Parlamento francês não os incluiu em uma lei aprovada em maio para facilitar a restituição de obras saqueadas durante a colonização.

As leis mexicanas consideram todo patrimônio histórico como propriedade da nação, mas a maioria foi promulgada muito tempo depois que esses e outros artefatos foram retirados do país.

(L.Møller--DTZ)

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