Deutsche Tageszeitung - Defesa de Bolsonaro pede 'nulidade' de julgamento por tentativa de golpe

Defesa de Bolsonaro pede 'nulidade' de julgamento por tentativa de golpe


Defesa de Bolsonaro pede 'nulidade' de julgamento por tentativa de golpe
Defesa de Bolsonaro pede 'nulidade' de julgamento por tentativa de golpe / foto: © AFP

A defesa de Jair Bolsonaro apresentou um novo recurso nesta sexta-feira (28) para pedir "nulidade" do julgamento por golpismo que o condenou a 27 anos de prisão, três dias depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter ordenado que o ex-presidente começasse a cumprir pena.

Alterar tamanho do texto:

Os advogados pedem "a nulidade da ação penal" e que Bolsonaro seja "absolvido", segundo um documento ao qual a AFP teve acesso.

"A injusta condenação imposta a Jair Messias Bolsonaro [...] deve ser submetida ao crivo do Plenário do Supremo Tribunal Federal para que, ao final, seja reconhecida e declarada a sua inocência", pede a defesa.

O ex-presidente, de 70 anos, cumpre sua condenação desde a terça-feira na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

Na terça-feira, o STF declarou que o processo contra Bolsonaro transitou em julgado e o encerramento do caso foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes. Os outros três ministros da Primeira Turma apoiaram a decisão.

Os advogados protestaram contra a decisão de Moraes e anunciaram que iriam recorrer. Este é o segundo recurso apresentado pela defesa, após o primeiro ter sido rejeitado.

O líder de extrema direita permanece recluso em um cômodo pequeno com frigobar, ar condicionado e uma televisão na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

O ex-presidente estava desde agosto em prisão domiciliar, mas, no sábado passado, foi colocado em prisão preventiva por "risco de fuga", após ter danificado sua tornozeleira eletrônica com um ferro de solda.

Seus advogados negam que ele tivesse tentado fugir e atribuíram o incidente a um estado de "confusão mental" induzido por medicamentos, uma explicação rejeitada pelo alto tribunal.

Bolsonaro sofre com problemas de saúde derivados da facada que recebeu durante um comício em 2018. Após diversas operações, ele tem relatado mal-estares frequentes, especialmente crises de soluços e vômitos.

Por causa do estado de saúde do ex-presidente, que demanda "acompanhamento médico intenso", seus advogados pediram ao STF a concessão de "prisão domiciliar humanitária".

Um de seus filhos, Carlos Bolsonaro (PL), vereador no município do Rio de Janeiro, disse na quinta-feira que seu pai sofreu uma grave crise de soluço e refluxo que obrigou o acionamento dos médicos.

"Ele não vai sobreviver frente a essa injustiça", escreveu o vereador na rede social X. "O sistema está assassinando de forma rápida e brutal o meu pai", acrescentou.

Outro filho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), impulsiona no Congresso um projeto de anistia que beneficiaria seu pai.

- 'Lição de democracia' -

Em setembro, o STF considerou Bolsonaro culpado de liderar uma organização criminosa para invalidar as eleições de 2022 e impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O plano contemplava até mesmo o assassinato de Lula, mas não se consumou por falta de apoio no alto comando militar.

Em sua primeira reação depois que o STF deu por concluído o processo, Lula disse na quarta-feira que o Brasil deu uma "lição de democracia" com o histórico julgamento, o primeiro que condena os responsáveis por uma tentativa de golpe no país.

"A Justiça brasileira mostrou a sua força, não se amedrontou com as ameaças de fora", afirmou o mandatário.

Meses atrás, o presidente americano Donald Trump denunciou o que classificou de "caça às bruxas" contra seu aliado Bolsonaro. À época, Washington impôs altas tarifas punitivas às importações vindas do Brasil e sancionou juízes do STF.

No entanto, após se reunir com Lula em outubro, Trump retirou boa parte desses encargos.

(I.Beryonev--DTZ)

Apresentou

África do Sul é convidada e depois excluída de reunião do G7 na França

A África do Sul informou nesta quinta-feira que foi excluída da reunião de cúpula do G7 em junho, para a qual havia sido convidada, o que Pretória atribuiu, em um primeiro momento, à pressão dos Estados Unidos sobre a França, mas depois negou qualquer tipo de interferência.

A Ucrânia destrói as exportações russas de petróleo do terror

A campanha ucraniana contra a infraestrutura petrolífera russa transformou-se num golpe direto contra uma das artérias econômicas mais sensíveis de Moscou. Não se trata de alvos meramente simbólicos, mas dos nós logísticos pelos quais passa uma parcela decisiva do petróleo russo destinado à exportação. A pressão sobre Primorsk e Ust-Luga, os grandes terminais do Báltico, é especialmente relevante, porque esses portos concentram uma parte enorme dos embarques marítimos. Somam-se a isso as consequências da perturbação em Novorossiysk, os problemas no corredor Druzhba em território ucraniano e a pressão crescente sobre navios associados à chamada frota sombra russa. O quadro, portanto, vai muito além da imagem de alguns incêndios isolados. O que está sob ataque é a própria cadeia de exportação: armazenamento, carregamento, encaminhamento marítimo e, em última instância, fluxo de receitas.As estimativas mais recentes indicam que, em determinados momentos, cerca de 40% da capacidade russa de exportação de petróleo ficou afetada ou temporariamente fora de serviço. Isso corresponde a cerca de 2 milhões de barris por dia que não chegaram ao mercado como previsto ou tiveram de ser redirecionados com atraso e custo maior. Para o Kremlin, o problema é profundo, porque o petróleo não é apenas uma mercadoria estratégica; continua a ser um dos pilares das receitas do Estado. Quando um terminal para, os navios ficam à espera, as cargas são reprogramadas e os riscos logísticos e de seguro aumentam, o impacto econômico se amplia mesmo que parte do volume venha a sair mais tarde. Em outras palavras, os ataques atingem precisamente o setor que a Rússia mais tentou proteger apesar das sanções, dos limites de preço e das rotas alternativas.O aspecto mais significativo da estratégia ucraniana é que ela parece mirar menos o efeito de um único golpe espetacular e mais a perturbação operacional repetida. Cada ataque contra infraestruturas portuárias, sistemas de bombeamento, tanques de armazenamento ou cadeias de carregamento pode criar estrangulamentos muito além do ponto de impacto. Bastam alguns dias de atraso para alterar rotações de petroleiros, calendários de exportação, pagamentos e planejamento de produção. O fato de uma instalação conseguir retomar operações com relativa rapidez não elimina a vulnerabilidade revelada por esse padrão. Moscou é forçada a redistribuir volumes, testar rotas alternativas e absorver mais risco em quase todas as etapas do processo. Isso constitui um problema estrutural para um modelo de exportação que depende fortemente de um número limitado de centros marítimos.

Trump nega que esteja 'desesperado' por fechar acordo com o Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou nesta quinta-feira (26) que esteja desesperado para alcançar um acordo que ponha fim à guerra no Oriente Médio e afirmou que o Irã está disposto a negociar, apesar da fria recepção ao seu plano de paz.

'Confiamos no sistema judicial dos EUA', diz filho de Maduro à AFP

O filho do presidente venezuelano deposto, Nicolás Maduro, afirmou nesta quinta-feira (26) que confia no sistema judicial dos Estados Unidos, embora tenha insistido nos "vestígios de ilegitimidade" que cercam o processo por ter se originado de seu "sequestro" em uma operação militar ordenada por Washington.

Alterar tamanho do texto: